A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a subir e alcançou 46% em agosto, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (20). O índice representa uma recuperação consistente após meses de queda, já que em maio o governo tinha apenas 40% de avaliação positiva. Ao mesmo tempo, a desaprovação caiu para 51%, depois de ter atingido 57% três meses atrás.
O levantamento foi realizado entre 13 e 17 de agosto, com 2.004 entrevistas presenciais em oito estados que concentram 66% do eleitorado brasileiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Nordeste puxa recuperação
O movimento positivo foi impulsionado principalmente pelo Nordeste, onde Lula mantém sua base mais sólida. Na região, a aprovação do governo saltou de 53% em julho para 60% em agosto, enquanto a desaprovação recuou para 37%. Em estados como Bahia e Pernambuco, a recuperação foi ainda mais expressiva, com avanço de mais de 10 pontos em apenas um mês.
Entre os beneficiários do Bolsa Família, a aprovação também chegou a 60%, reforçando a ligação histórica entre os programas sociais e o apoio popular ao petista. Além disso, outros grupos apresentaram melhora significativa:
- Mulheres: 48% de aprovação;
- Idosos acima de 60 anos: 55%;
- Católicos: 54%;
- Famílias com renda de até dois salários mínimos: 55%.
Segmentos ainda resistentes
Apesar do avanço, a pesquisa mostra que o presidente ainda enfrenta resistência em determinados setores. Entre homens, a aprovação é de 44%, enquanto entre jovens de 16 a 34 anos o índice chega a 43%. Nas faixas de renda mais alta, o apoio cai para 39%, e entre eleitores com ensino médio ou superior não passa de 42%.
Economia e tarifaço influenciaram cenário
Dois fatores foram apontados pelos pesquisadores como determinantes para a melhora recente. O primeiro é a redução na percepção de alta dos alimentos: em julho, 76% dos entrevistados diziam sentir os preços dispararem; agora, esse percentual caiu para 60%, o que trouxe alívio ao custo de vida das famílias.
O segundo é a postura de Lula diante do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos. O presidente adotou um tom firme em defesa da soberania nacional, da indústria brasileira e dos trabalhadores, discurso que teve boa repercussão entre os eleitores.
Quadro em transformação
Com os novos números, a diferença entre aprovação e desaprovação, que em maio era de 17 pontos, caiu para apenas 5. O resultado indica que Lula conseguiu recuperar parte da confiança perdida no início do mandato e volta a equilibrar sua imagem perante a opinião pública.
A continuidade dessa tendência, no entanto, dependerá diretamente do desempenho da economia e da capacidade do governo em ampliar seu apoio para além da base histórica do PT, alcançando setores da sociedade que seguem mais resistentes.




