Governo Trump Pediu que Brasil Permitisse Candidatura de ‘Dissidentes Políticos’ em 2026; Itamaraty Rejeitou
Documento apresentado durante negociações sobre tarifas comerciais vinculava eleições a alívio tarifário; diplomacia brasileira descartou exigência por considerar proposta um "absurdo".
Foto: O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar no Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, em 9 de setembro de 2026. — Foto: Foto de BRENDAN SMIALOWSKI/AFP
O governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump, formalizou um pedido oficial ao governo brasileiro para que o país permitisse a participação de "dissidentes políticos" na disputa eleitoral de 2026. A exigência constava em um documento entregue ao Itamaraty e foi confirmada nesta quinta-feira (17) por integrantes do corpo diplomático brasileiro, após revelação inicial feita pelo jornal O Estado de S. Paulo.
De acordo com fontes da diplomacia brasileira, o pleito de Washington foi inserido no rol de propostas apresentadas pelas autoridades norte-americanas durante as rodadas de negociação sobre a imposição de tarifas comerciais contra produtos do Brasil, ocorrida no ano passado. Embora o texto norte-americano não tenha nominado diretamente quais figuras deveriam ser contempladas com anistia ou autorização para concorrer, a diplomacia recorda que, no mesmo período, Trump acusou abertamente o Judiciário brasileiro de conduzir uma "caça às bruxas", citando de forma expressa a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A chancelaria brasileira rejeitou a inclusão da demanda de pronto por entender que o texto trazia "absurdos" e violava a soberania nacional, o que fez com que o item sequer entrasse na pauta oficial de debates bilaterais. As minutas circularam exclusivamente no nível técnico de assessoria diplomática de ambas as nações, sem passar pelo crivo de autoridades de primeiro escalão, como o chanceler Mauro Vieira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ou os chefes de Estado Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Histórico de Tensões e Menções a Bolsonaro
A investida diplomática norte-americana soma-se às pressões públicas que o republicano vinha exercendo contra as instituições brasileiras. Ao decretar o aumento de alíquotas de importação sobre manufaturados brasileiros em 2025, Trump enviou correspondência oficial ao presidente Lula justificando a retaliação comercial sob a alegação, desprovida de sustentação fática, de que haveria "ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres".
Na referida carta, Trump atacou com veemência a ação penal em trâmite na Corte Suprema que apurava a tentativa de golpe de Estado:
"A forma como o Brasil tem tratado o ex-Presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!"
— Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em correspondência oficial enviada ao governo brasileiro.
Até o fechamento desta reportagem, o Departamento de Estado norte-americano e a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília não haviam emitido posicionamento formal a respeito da revelação do documento diplomático.
De acordo com fontes da diplomacia brasileira, o pleito de Washington foi inserido no rol de propostas apresentadas pelas autoridades norte-americanas durante as rodadas de negociação sobre a imposição de tarifas comerciais contra produtos do Brasil, ocorrida no ano passado. Embora o texto norte-americano não tenha nominado diretamente quais figuras deveriam ser contempladas com anistia ou autorização para concorrer, a diplomacia recorda que, no mesmo período, Trump acusou abertamente o Judiciário brasileiro de conduzir uma "caça às bruxas", citando de forma expressa a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A chancelaria brasileira rejeitou a inclusão da demanda de pronto por entender que o texto trazia "absurdos" e violava a soberania nacional, o que fez com que o item sequer entrasse na pauta oficial de debates bilaterais. As minutas circularam exclusivamente no nível técnico de assessoria diplomática de ambas as nações, sem passar pelo crivo de autoridades de primeiro escalão, como o chanceler Mauro Vieira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ou os chefes de Estado Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Histórico de Tensões e Menções a Bolsonaro
A investida diplomática norte-americana soma-se às pressões públicas que o republicano vinha exercendo contra as instituições brasileiras. Ao decretar o aumento de alíquotas de importação sobre manufaturados brasileiros em 2025, Trump enviou correspondência oficial ao presidente Lula justificando a retaliação comercial sob a alegação, desprovida de sustentação fática, de que haveria "ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres".
Na referida carta, Trump atacou com veemência a ação penal em trâmite na Corte Suprema que apurava a tentativa de golpe de Estado:
"A forma como o Brasil tem tratado o ex-Presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!"
— Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em correspondência oficial enviada ao governo brasileiro.
Até o fechamento desta reportagem, o Departamento de Estado norte-americano e a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília não haviam emitido posicionamento formal a respeito da revelação do documento diplomático.
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