quinta-feira, abril 15, 2021

2021

Já disse aqui que de tempos em tempos a humanidade completa uma volta no grande círculo da civilização e se reencontra consigo mesma. São tempos difíceis. Sempre.

Desta vez se repete o ciclo da roda do tempo. Os indus chamaram de samsara. O ciclo atual é o mais complexo de todos. Reúne milhares de anos de vivências e esbarra em alguns pontos muito graves:

1 – a população do planeta aproxima-se de 8 bilhões de pessoas. Isso é um  imenso complicador. Do ponto de vista de alimentação, de produção alimentar, de uso dos recursos naturais do planeta, orgânicos e inorgânicos;

2 – do ponto de vista ambiental. A produção de alimentos é profundamente consumidora desses recursos. O uso deles complica a água, o ar, o solo, as árvores, os minerais. Todos causam ansiedade no ser humano;
3  – a tecnologia derrubou em menos de 30 anos, todos os fundamentos do convívio humano secular. De que forma?: pelo volume de conhecimentos gerados, pela sua rapidíssima disseminação através da mídia sem limites e sem fronteiras;

4 – a construção e a desconstrução dos valores históricos tradicionais, destemperou a capacidade de julgamento e do discernimento humano. De um ser gregário e da agricultura histórica, das pequenas vilas e cidades, a vida passou a fazer sentido em grandes aglomerações. Perdeu-se o sentido do coletivo, da individualidade e, de repente, todas as pessoas se tornaram extensão dependentes das tecnologias;

5 – a manada. O saldo dessa coletivização pela tecnologia construiu uma manada de seres humanos gravitando em torno de si mesmos, ou de provocações vindas de fora. Seres sem causa girando em  torno de estímulos externos. Desiguais, loucos por uma hipotética igualdade.

Claro que tudo isso é só uma síntese breve. Tudo é muito maio

A pandemia é a porta de entrada desse fechamento de um ciclo. O ciclo atual. A História registra que os ciclos são cruéis. Ainda mais quando as informações circulam sem limites entre as pessoas. As iguais e as desiguais. Terror!

 

Encerro este artigo com uma conclusão dura e óbvia.  Não se muda sem dor. A dor ensina e redime. Sem a dor não se olha pra dentro. O vírus é um mero passageiro do tempo cumprindo uma missão…

 

Onofre Ribeiro é jornalista

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