Um vídeo apreendido pela Polícia Federal durante as investigações expõe diálogos comprometedores entre Jair Bolsonaro e seus auxiliares, nos quais são discutidas estratégias golpistas e disseminação de fake news. A reunião ocorreu em julho de 2022, poucas semanas antes do início oficial da campanha eleitoral, e teve como objetivo coordenar ações para deslegitimar a eleição do presidente Lula e fragilizar o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas.
Segundo informações da PF, a reunião envolveu membros da “alta cúpula” do governo e foi marcada pela exigência de Jair Bolsonaro para que seus ministros promovessem ativamente a desinformação e ataques à Justiça Eleitoral. Estavam presentes figuras-chave como o então ministro da Justiça, Anderson Torres, o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e o então chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno.
Durante o encontro, Bolsonaro instigou os ministros a difundirem informações fraudulentas como forma de reverter a desvantagem na disputa eleitoral, admitindo que as pesquisas eleitorais estavam corretas ao indicar a possível vitória de Lula no primeiro turno. Além disso, o ex-presidente propôs convocar embaixadores para denunciar supostas fraudes no sistema eleitoral brasileiro.
O vídeo também revela que Bolsonaro pressionou seus ministros para replicarem as desinformações, utilizando a estrutura do Estado brasileiro de forma ilícita e dissociada do interesse público. Em determinado momento, o ex-presidente destacou a importância de ações antes das eleições, afirmando que “se tiver que virar a mesa, é antes das eleições”.
As falas dos participantes, como as do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, deixam claro o objetivo de atacar o Tribunal Superior Eleitoral e romper com a linha de contato estabelecida. Nogueira ainda mencionou reuniões frequentes com as Forças Armadas para garantir que as eleições ocorressem conforme desejado pelo grupo bolsonarista.
A descoberta desse vídeo reforça as investigações sobre as tentativas de golpe de Estado e a disseminação de fake news por parte do governo Bolsonaro, evidenciando a urgência de medidas para proteger a democracia e a integridade do processo eleitoral brasileiro.
Fonte: G1