Análise do Celular de Vorcaro Tem Acesso Restrito em Gabinetes do STF; Arquivo da PF Soma 500 Gigabytes
Entregue em meio à crise institucional, acervo reúne pastas de chats, áudios e logs indexados no sistema IPED; equipes ministeriais realizam varredura sob sigilo para evitar vazamentos e blindar novas apurações.
Foto: Ex-banqueiro Daniel Vorcaro — Foto: Divulgação
O novo desdobramento da crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) após a distribuição de cópias integrais dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master, levou os gabinetes dos ministros a estabelecerem protocolos de acesso estritamente restrito para a triagem do material.
A varredura envolve tanto uma checagem ampla sobre os pontos de atenção e as conversas que citam autoridades quanto uma confrontação técnica com o recorte temático realizado pela Polícia Federal (PF) nos relatórios pretéritos. A intenção das assessorias é identificar fatos jurídicos relevantes, averiguar eventuais omissões ou lacunas e balizar manifestações processuais. Nos bastidores, os magistrados ressaltam que ainda não definiram quais medidas serão adotadas após o término da conferência e que não há prazo fixado para o encerramento dos trabalhos.
O arquivo compactado, entregue aos ministros por ordem direta expedida à corporação policial, totaliza 500 gigabytes (GB) de dados brutos — volume suficiente para armazenar aproximadamente 140 mil imagens em alta resolução, mais de 120 mil faixas de áudio em formato MP3 ou cerca de 40 horas ininterruptas de vídeo em alta definição.
Segundo relatos colhidos nos bastidores da Corte, os arquivos estão organizados em pastas contendo registros de atividades telemáticas (logs), diálogos de texto (chats) e arquivos sonoros. Os gabinetes mantêm cuidados especiais para salvaguardar dados de privacidade e intimidade de terceiros sem relevância penal, além de evitar o vazamento precoce de elementos que possam comprometer frentes de investigação ainda não deflagradas.
Organização Técnica via Software IPED
Para viabilizar a navegação no gigantesco acervo digital, os peritos da PF processaram os elementos apreendidos por meio do software IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), ferramenta oficial utilizada para o processamento de provas cibernéticas:
Indexação Avançada: O sistema permite a indexação rápida e buscas refinadas por termos e palavras-chave em diálogos, relatórios contábeis e anexos;
Autenticidade e Cadeia de Custódia: A ferramenta gera um código criptográfico (hash) específico que assegura a integridade das evidências, permitindo atestar se houve qualquer tentativa posterior de manipulação ou adulteração;
Recuperação de Apagados: Os peritos utilizaram recursos especializados para descriptografar dados protegidos por senha e reconstruir fragmentos de conversas apagadas do aparelho.
As cópias foram disponibilizadas aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Em nota, a PF assegurou que as mídias encaminhadas "são idênticas à extração realizada do aparelho" e que "o material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital".
Disputa e Histórico do Aparelho
O compartilhamento do arquivo bruto acirrou os atritos no tribunal às vésperas da sessão plenária que debatia a abertura de procedimento contra Moraes. Zanin e Gilmar acionaram o presidente da Corte, Edson Fachin, para requerer o espelhamento integral da mídia. Fachin consultou o relator da apuração, André Mendonça, que se manifestou contra a medida preliminar por avaliar que a divulgação tumultuaria o julgamento. Diante da demora, Zanin, Gilmar e Moraes expediram ordens diretas para que a PF cumprisse o repasse. Mendonça, por sua vez, informou que mantinha em seu poder apenas uma cópia de segurança lacrada e criptografada, sem ter manuseado os arquivos.
O aparelho foi recolhido em novembro de 2025, durante o cumprimento da primeira ordem de prisão preventiva contra Vorcaro. As extrações identificaram fluxos de interlocução do empresário com integrantes dos Três Poderes — incluindo parlamentares, diretores do Banco Central e membros da Suprema Corte —, embasando mandados de busca contra os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA).
A crise escalou após o levantamento de sigilo do laudo pericial que mapeou 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, além de oito encontros presenciais e da minuta de um contrato de prestação de serviços advocatícios de R$ 130 milhões firmado entre o banco e a banca jurídica da mulher do magistrado, Viviane Barci de Moraes. Em uma das mensagens, Vorcaro consultava se deveria deixar o país às vésperas de sua prisão preventiva e pedia intervenção para conter ações policiais e do Ministério Público. Moraes refuta as suspeitas, afirmando que a PF atribuiu a ele anotações unilaterais do empresário de forma fantasiosa, e sustenta que jamais atuou para favorecer o banqueiro ou o Banco Master.
A varredura envolve tanto uma checagem ampla sobre os pontos de atenção e as conversas que citam autoridades quanto uma confrontação técnica com o recorte temático realizado pela Polícia Federal (PF) nos relatórios pretéritos. A intenção das assessorias é identificar fatos jurídicos relevantes, averiguar eventuais omissões ou lacunas e balizar manifestações processuais. Nos bastidores, os magistrados ressaltam que ainda não definiram quais medidas serão adotadas após o término da conferência e que não há prazo fixado para o encerramento dos trabalhos.
O arquivo compactado, entregue aos ministros por ordem direta expedida à corporação policial, totaliza 500 gigabytes (GB) de dados brutos — volume suficiente para armazenar aproximadamente 140 mil imagens em alta resolução, mais de 120 mil faixas de áudio em formato MP3 ou cerca de 40 horas ininterruptas de vídeo em alta definição.
Segundo relatos colhidos nos bastidores da Corte, os arquivos estão organizados em pastas contendo registros de atividades telemáticas (logs), diálogos de texto (chats) e arquivos sonoros. Os gabinetes mantêm cuidados especiais para salvaguardar dados de privacidade e intimidade de terceiros sem relevância penal, além de evitar o vazamento precoce de elementos que possam comprometer frentes de investigação ainda não deflagradas.
Organização Técnica via Software IPED
Para viabilizar a navegação no gigantesco acervo digital, os peritos da PF processaram os elementos apreendidos por meio do software IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), ferramenta oficial utilizada para o processamento de provas cibernéticas:
Indexação Avançada: O sistema permite a indexação rápida e buscas refinadas por termos e palavras-chave em diálogos, relatórios contábeis e anexos;
Autenticidade e Cadeia de Custódia: A ferramenta gera um código criptográfico (hash) específico que assegura a integridade das evidências, permitindo atestar se houve qualquer tentativa posterior de manipulação ou adulteração;
Recuperação de Apagados: Os peritos utilizaram recursos especializados para descriptografar dados protegidos por senha e reconstruir fragmentos de conversas apagadas do aparelho.
As cópias foram disponibilizadas aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Em nota, a PF assegurou que as mídias encaminhadas "são idênticas à extração realizada do aparelho" e que "o material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital".
Disputa e Histórico do Aparelho
O compartilhamento do arquivo bruto acirrou os atritos no tribunal às vésperas da sessão plenária que debatia a abertura de procedimento contra Moraes. Zanin e Gilmar acionaram o presidente da Corte, Edson Fachin, para requerer o espelhamento integral da mídia. Fachin consultou o relator da apuração, André Mendonça, que se manifestou contra a medida preliminar por avaliar que a divulgação tumultuaria o julgamento. Diante da demora, Zanin, Gilmar e Moraes expediram ordens diretas para que a PF cumprisse o repasse. Mendonça, por sua vez, informou que mantinha em seu poder apenas uma cópia de segurança lacrada e criptografada, sem ter manuseado os arquivos.
O aparelho foi recolhido em novembro de 2025, durante o cumprimento da primeira ordem de prisão preventiva contra Vorcaro. As extrações identificaram fluxos de interlocução do empresário com integrantes dos Três Poderes — incluindo parlamentares, diretores do Banco Central e membros da Suprema Corte —, embasando mandados de busca contra os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA).
A crise escalou após o levantamento de sigilo do laudo pericial que mapeou 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, além de oito encontros presenciais e da minuta de um contrato de prestação de serviços advocatícios de R$ 130 milhões firmado entre o banco e a banca jurídica da mulher do magistrado, Viviane Barci de Moraes. Em uma das mensagens, Vorcaro consultava se deveria deixar o país às vésperas de sua prisão preventiva e pedia intervenção para conter ações policiais e do Ministério Público. Moraes refuta as suspeitas, afirmando que a PF atribuiu a ele anotações unilaterais do empresário de forma fantasiosa, e sustenta que jamais atuou para favorecer o banqueiro ou o Banco Master.
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