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Cattani Relembra Assassinato da Filha na ALMT para Apoiar Deputada de SP Contrária à Tipificação de Feminicídio

Parlamentar citou a tragédia de Raquel Cattani para sustentar que crime decorreu do desequilíbrio do ex-marido; mandante e executor foram condenados a mais de 30 anos de prisão.

VT

Por Da Redação

08/10/2026 às 11:22

Cattani Relembra Assassinato da Filha na ALMT para Apoiar Deputada de SP Contrária à Tipificação de Feminicídio
Foto: Deputado Gilberto Cattani (PL) — Foto: JLSiqueira/ALMT

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta quarta-feira (7) para abordar a morte de sua filha, a produtora rural e queijeira Raquel Cattani. O parlamentar resgatou a tragédia pessoal ao sair em defesa de uma deputada estadual recém-eleita por São Paulo que gerou repercussão ao se posicionar contra a tipificação penal autônoma do crime de feminicídio.

Durante sua fala em plenário, Cattani sustentou que o assassinato de sua filha esteve estritamente relacionado ao descontrole emocional do agressor diante do término do vínculo conjugal:

"Ela foi assassinada pelo relacionamento que ela tinha com uma pessoa totalmente desequilibrada, que tirou a vida dela porque não aceitava o fim do relacionamento."

— Gilberto Cattani, deputado estadual (PL).

A manifestação gerou debates entre parlamentares, sobretudo pelo histórico do processo penal que julgou os responsáveis pela execução da jovem em Nova Mutum. O Tribunal do Júri condenou o ex-marido de Raquel, Romero Xavier Mengarde, a 30 anos de reclusão como mandante do homicídio. No veredito, o Conselho de Sentença acolheu formalmente as qualificadoras de feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Já o cunhado da produtora, Rodrigo Xavier Mengarde — responsável pela execução direta dos golpes de faca —, recebeu pena de 33 anos de prisão.

Relembre o Caso Raquel Cattani

O crime chocou Mato Grosso em julho de 2024, quando o corpo de Raquel Cattani, aos 26 anos, foi encontrado em um dos cômodos da residência onde morava, em um sítio no Assentamento Pontal do Marape, na zona rural de Nova Mutum. Os exames periciais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) constataram diversas lesões pérfuro-cortantes e marcas de defesa distribuídas nos braços e antebraços da vítima.

A investigação da Polícia Civil desvendou um plano premeditado pelo ex-marido, que conviveu cerca de dez anos com Raquel e não admitia a separação. De acordo com o inquérito policial:

  • Contratação e Pagamento: Romero ofereceu R$ 4 mil ao irmão, Rodrigo Xavier, para executar o homicídio, combinando previamente todos os detalhes do crime;

  • Criação de Álibi: No dia do assassinato, Romero transportou o executor e o escondeu nas proximidades do sítio de Raquel. Em seguida, almoçou com o próprio sogro (o deputado Gilberto Cattani), levou os filhos do casal para Tapurah e convidou conhecidos para beber e assar carne, chegando a frequentar três boates na cidade vizinha para forjar um álibi;

  • Cena Simulada: Enquanto isso, Rodrigo invadiu a residência, quebrou aparelhos de TV, desferiu os golpes fatais contra Raquel e subtraiu a motocicleta e o aparelho celular da vítima na tentativa de simular um latrocínio (roubo seguido de morte).

O julgamento dos irmãos Mengarde resultou em condenações que, somadas, ultrapassam seis décadas de reclusão, com o cumprimento em regime fechado.

Raquel Cattani foi encontrada morta — Foto: Reprodução



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