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Crise no STF Trava Conclusão do Inquérito-Mãe do Caso Master na Polícia Federal

Planejado para ser fechado em setembro com indiciamento de Vorcaro e ex-presidente do BRB, relatório final é adiado para o pós-eleição; PF ouve banqueiro e o pai nesta quarta.

VT

Por Da Redação

30/09/2026 às 14:58

Crise no STF Trava Conclusão do Inquérito-Mãe do Caso Master na Polícia Federal
Foto: Daniel Vorcaro — Foto: Divulgação
A Polícia Federal foi forçada a rever seu cronograma operacional e postergar para depois do período eleitoral a conclusão do relatório final do chamado "inquérito-mãe" do Caso Banco Master, procedimento que apura fraudes financeiras e manipulação de informações no sistema bancário atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro. A paralisação dos trabalhos decorre diretamente da crise institucional instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), que gerou sobrestamentos e impasses jurídicos em torno das apurações.

O plano original dos investigadores previa a finalização da peça inquisitorial entre o fim de agosto e este mês de setembro. Na avaliação da equipe da PF, o conjunto probatório relativo aos ilícitos perpetrados nas tratativas de alienação da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB) já reúne elementos de materialidade e autoria consolidados.

Nesta primeira fase de responsabilização penal, o relatório conclusivo da autoridade policial deve formalizar os indiciamentos:

Do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master;

Do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa;

De servidores do Banco Central do Brasil (BCB) suspeitos de vazar relatórios e repassar informações sigilosas e privilegiadas à cúpula da instituição financeira privada.

O atraso no fechamento do inquérito-mãe contamina também as investigações de outras etapas do caso, que apuram os desdobramentos políticos e judiciais dos diálogos e planilhas apreendidos.

Depoimentos sobre Grupo de Ameaças 'Turma' e Braço Violento
Apesar da suspensão da tramitação final do relatório, a Polícia Federal cumpre diligências instrutórias nesta quarta-feira (30) e colhe os depoimentos presenciais de Daniel Vorcaro e de seu pai, Henrique Vorcaro.

As oitivas têm como objetivo esclarecer as engrenagens de funcionamento de uma organização paralela identificada nas trocas de mensagens como "Turma". De acordo com os dados telemáticos extraídos de aparelhos celulares periciados pela PF, o grupo atuava sob ordens de Daniel Vorcaro executando intimidações, monitoramentos e ameaças de violência física contra desafetos, adversários comerciais e profissionais de imprensa.

A coordenação operacional dessa célula violenta era atribuída a Luiz Phillipi Mourão, conhecido pela alcunha de "Sicário". Mourão foi capturado durante as ações da PF, mas tirou a própria vida dentro de uma cela na Superintendência Regional da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG).

Segundo os relatórios de inteligência financeira, o empresário Henrique Vorcaro é investigado sob a suspeita de ter operado transferências financeiras destinadas à remuneração do Sicário pelos serviços prestados. A defesa de Henrique Vorcaro nega categoricamente qualquer ligação ou conhecimento sobre os fatos investigados.

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