Defesa de Vorcaro Pede Fim da Prisão Preventiva e Cita Indefinição do STF Para Cobrar Soltura
Preso há mais de seis meses na "Papudinha", ex-banqueiro alega cooperação com a Justiça e explora suspensão de julgamento por vista de Dino; pai e cunhado também pleiteiam liberdade a Mendonça.
Foto: Daniel Vorcaro — Foto: Divulgação
A defesa do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do liquidado Banco Master, protocolou nesta sexta-feira (18) no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de revogação imediata de sua prisão preventiva. Decretada no âmbito da Operação Compliance Zero — investigação que desarticulou uma ampla engrenagem de fraudes financeiras e cooptação institucional —, a custódia cautelar de Vorcaro já ultrapassa seis meses. O ex-banqueiro permanece recolhido em cela do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, complexo carcerário conhecido como "Papudinha".
Apontado pela Polícia Federal como o líder de uma sofisticada organização criminosa voltada à captação fraudulenta de recursos, Vorcaro é acusado de estruturar uma rede clandestina de monitoramento, espionagem e tráfico de influência com ramificações nas instâncias mais elevadas da República. Na mesma petição, as defesas do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, e de seu cunhado, Fabiano Zettel, também requereram a revogação de suas respectivas medidas prisionais. Todos os pleitos foram direcionados ao ministro André Mendonça, relator originário do caso na Corte.
Na peça encaminhada ao tribunal, os advogados sustentam que o empresário mantém postura colaborativa com as investigações e a Justiça, utilizando o argumento para tentar reabrir tratativas de colaboração premiada anteriormente rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por insuficiência de provas:
"As oportunidades de se manifestar verbalmente foram escassas, mas em todas elas o peticionário [Vorcaro] se colocou à disposição das autoridades e reiterou o desejo de colaborar formalmente, oferecendo-se para relatar os fatos de que tem conhecimento, inclusive para otimização das investigações."
— Trecho do pedido de revogação de prisão da defesa de Daniel Vorcaro.
Indefinição Processual e Paralisia no STF
O principal pilar da estratégia defensiva reside na crise aberta no STF. Ao avocar os procedimentos para a Presidência a fim de avaliar a representação contra Alexandre de Moraes, Edson Fachin determinou que autos conexos ao caso Master fossem remetidos ao seu gabinete, paralisando a marcha processual.
A defesa enfatiza que o tribunal mergulhou em insegurança jurídica após o ministro Flávio Dino pedir vista na sessão plenária da última terça-feira (15), deixando o julgamento inconcluso e adiando a sessão previamente marcada para o dia 23 de setembro. Para os advogados, a Corte deixou sem resposta qual é o órgão jurisdicional competente e quem é o legítimo relator para apreciar os atos da Compliance Zero, situação que tornaria a manutenção do cárcere excessiva e ilegal.
Situação de Henrique Vorcaro e Núcleos Violentos
O pleito de Daniel Vorcaro junta-se à movimentação já iniciada por seu pai, Henrique Vorcaro, que protocolou pedido formal de soltura na última quarta-feira (16). A defesa alega excesso de prazo, destacando que o investigado está detido preventivamente há mais de 90 dias sem que o plenário do STF tenha apreciado os recursos contra o mandado.
Henrique Vorcaro foi preso em maio de 2026 sob a acusação de chefiar o chamado "núcleo violento" do esquema criminoso, subdividido pelas forças policiais nos grupos "A Turma" e "Os Meninos". A organização era encarregada de executar extorsões, coerções físicas e psicológicas, obtenção ilícita de informações sigilosas e invasões a dispositivos eletrônicos para blindar os negócios do Banco Master e intimidar adversários. Em junho, a Segunda Turma do Supremo havia confirmado por unanimidade a manutenção de sua prisão preventiva.
Apontado pela Polícia Federal como o líder de uma sofisticada organização criminosa voltada à captação fraudulenta de recursos, Vorcaro é acusado de estruturar uma rede clandestina de monitoramento, espionagem e tráfico de influência com ramificações nas instâncias mais elevadas da República. Na mesma petição, as defesas do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, e de seu cunhado, Fabiano Zettel, também requereram a revogação de suas respectivas medidas prisionais. Todos os pleitos foram direcionados ao ministro André Mendonça, relator originário do caso na Corte.
Na peça encaminhada ao tribunal, os advogados sustentam que o empresário mantém postura colaborativa com as investigações e a Justiça, utilizando o argumento para tentar reabrir tratativas de colaboração premiada anteriormente rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por insuficiência de provas:
"As oportunidades de se manifestar verbalmente foram escassas, mas em todas elas o peticionário [Vorcaro] se colocou à disposição das autoridades e reiterou o desejo de colaborar formalmente, oferecendo-se para relatar os fatos de que tem conhecimento, inclusive para otimização das investigações."
— Trecho do pedido de revogação de prisão da defesa de Daniel Vorcaro.
Indefinição Processual e Paralisia no STF
O principal pilar da estratégia defensiva reside na crise aberta no STF. Ao avocar os procedimentos para a Presidência a fim de avaliar a representação contra Alexandre de Moraes, Edson Fachin determinou que autos conexos ao caso Master fossem remetidos ao seu gabinete, paralisando a marcha processual.
A defesa enfatiza que o tribunal mergulhou em insegurança jurídica após o ministro Flávio Dino pedir vista na sessão plenária da última terça-feira (15), deixando o julgamento inconcluso e adiando a sessão previamente marcada para o dia 23 de setembro. Para os advogados, a Corte deixou sem resposta qual é o órgão jurisdicional competente e quem é o legítimo relator para apreciar os atos da Compliance Zero, situação que tornaria a manutenção do cárcere excessiva e ilegal.
Situação de Henrique Vorcaro e Núcleos Violentos
O pleito de Daniel Vorcaro junta-se à movimentação já iniciada por seu pai, Henrique Vorcaro, que protocolou pedido formal de soltura na última quarta-feira (16). A defesa alega excesso de prazo, destacando que o investigado está detido preventivamente há mais de 90 dias sem que o plenário do STF tenha apreciado os recursos contra o mandado.
Henrique Vorcaro foi preso em maio de 2026 sob a acusação de chefiar o chamado "núcleo violento" do esquema criminoso, subdividido pelas forças policiais nos grupos "A Turma" e "Os Meninos". A organização era encarregada de executar extorsões, coerções físicas e psicológicas, obtenção ilícita de informações sigilosas e invasões a dispositivos eletrônicos para blindar os negócios do Banco Master e intimidar adversários. Em junho, a Segunda Turma do Supremo havia confirmado por unanimidade a manutenção de sua prisão preventiva.
Comentários (0)
Participe da conversa! Faça login para comentar.
Entrar no VT NewsSeja o primeiro a comentar.