Em Nova York para Acompanhar Lula na ONU, Mauro Vieira Alerta para 'Relativização da Soberania' em Encontro da Celac
Chanceler discursou a ministros latino-americanos em meio a preocupações do Planalto com pressões dos Estados Unidos nas eleições; Brasil reitera defesa de mulher latina no comando da ONU.
Foto: Chanceler Mauro Vieira — Foto: Mateus Oliveira/MRE
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fez um pronunciamento de tom firme em Nova York nesta segunda-feira (21), durante reunião de ministros das Relações Exteriores da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), alertando os representantes da região contra a “relativização da soberania” e a crescente erosão do multilateralismo. A advertência, divulgada oficialmente pelo Itamaraty, ocorre em um cenário no qual a diplomacia e interlocutores do Palácio do Planalto apontam recorrentes movimentações do governo dos Estados Unidos para influenciar o processo eleitoral brasileiro de 2026.
Mauro Vieira integra a delegação que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável por abrir a 81ª Sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22). De acordo com auxiliares presidenciais, o próprio mandatário brasileiro deve dedicar trechos de seu discurso na tribuna internacional à defesa intransigente da autodeterminação dos povos e da soberania nacional, desenhando recados sutis a potências globais sem fazer menção explícita ao nome do republicano Donald Trump, com a finalidade de evitar constrangimentos formais.
Lula já manifestou publicamente a intenção de dialogar diretamente com Trump nos corredores da ONU para exigir a não ingerência norte-americana no pleito. Recentemente, os dois chefes de Estado conversaram por cerca de uma hora e meia por telefone; na ocasião, o líder norte-americano fez alusão direta à disputa eleitoral brasileira, momento em que Lula assegurou a normalidade institucional e a absoluta higidez e confiabilidade das urnas eletrônicas.
Histórico de Atritos e Medidas Unilaterais de Washington
O clima de apreensão em torno de uma interferência externa se consolidou a partir de sucessivas decisões adotadas pela Casa Branca sob a administração de Donald Trump em relação ao Brasil:
Tarifas Comerciais: A imposição de dois tarifaços sucessivos contra produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano, sob a alegação de práticas comerciais desleais e de suposta omissão de Brasília em impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado;
Classificação de Facções Criminosas: A designação formal do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais pelos órgãos de segurança dos EUA, acompanhada de críticas à eficácia das autoridades de segurança pública brasileiras e de alegações de que as facções operam em solo estadunidense;
Perfil da Representação Diplomática: A nomeação de um político de perfil conservador e defensor de ações militares na América Latina para chefiar a embaixada norte-americana em Brasília, rompendo com o perfil técnico-diplomático tradicional.
Sucessão na ONU e Desistência de Bachelet
Durante a cúpula ministerial da Celac, Mauro Vieira também reiterou a posição diplomática brasileira no processo de sucessão do português António Guterres, cujo mandato à frente do secretariado-geral da ONU expira neste ano.
O governo brasileiro defendia a postulação da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que optou por desistir formalmente da disputa. Diante da desistência, o Itamaraty ainda não oficializou um novo nome para apoiar, mas mantém a pressão política para que a vaga seja destinada a uma liderança feminina latino-americana, em observância ao critério de rotatividade geográfica:
“[Mauro Vieira] defendeu, no contexto dos desafios geopolíticos atuais, a coesão dos países da Celac em torno de uma candidatura da região ao posto de secretário-geral da ONU, em respeito ao princípio de rotatividade entre as regiões. Reiterou a posição brasileira em favor da escolha de uma mulher da região para o cargo, a primeira na história a ocupar o cargo máximo da organização.”
— Nota oficial do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).
Mauro Vieira integra a delegação que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável por abrir a 81ª Sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22). De acordo com auxiliares presidenciais, o próprio mandatário brasileiro deve dedicar trechos de seu discurso na tribuna internacional à defesa intransigente da autodeterminação dos povos e da soberania nacional, desenhando recados sutis a potências globais sem fazer menção explícita ao nome do republicano Donald Trump, com a finalidade de evitar constrangimentos formais.
Lula já manifestou publicamente a intenção de dialogar diretamente com Trump nos corredores da ONU para exigir a não ingerência norte-americana no pleito. Recentemente, os dois chefes de Estado conversaram por cerca de uma hora e meia por telefone; na ocasião, o líder norte-americano fez alusão direta à disputa eleitoral brasileira, momento em que Lula assegurou a normalidade institucional e a absoluta higidez e confiabilidade das urnas eletrônicas.
Histórico de Atritos e Medidas Unilaterais de Washington
O clima de apreensão em torno de uma interferência externa se consolidou a partir de sucessivas decisões adotadas pela Casa Branca sob a administração de Donald Trump em relação ao Brasil:
Tarifas Comerciais: A imposição de dois tarifaços sucessivos contra produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano, sob a alegação de práticas comerciais desleais e de suposta omissão de Brasília em impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado;
Classificação de Facções Criminosas: A designação formal do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais pelos órgãos de segurança dos EUA, acompanhada de críticas à eficácia das autoridades de segurança pública brasileiras e de alegações de que as facções operam em solo estadunidense;
Perfil da Representação Diplomática: A nomeação de um político de perfil conservador e defensor de ações militares na América Latina para chefiar a embaixada norte-americana em Brasília, rompendo com o perfil técnico-diplomático tradicional.
Sucessão na ONU e Desistência de Bachelet
Durante a cúpula ministerial da Celac, Mauro Vieira também reiterou a posição diplomática brasileira no processo de sucessão do português António Guterres, cujo mandato à frente do secretariado-geral da ONU expira neste ano.
O governo brasileiro defendia a postulação da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que optou por desistir formalmente da disputa. Diante da desistência, o Itamaraty ainda não oficializou um novo nome para apoiar, mas mantém a pressão política para que a vaga seja destinada a uma liderança feminina latino-americana, em observância ao critério de rotatividade geográfica:
“[Mauro Vieira] defendeu, no contexto dos desafios geopolíticos atuais, a coesão dos países da Celac em torno de uma candidatura da região ao posto de secretário-geral da ONU, em respeito ao princípio de rotatividade entre as regiões. Reiterou a posição brasileira em favor da escolha de uma mulher da região para o cargo, a primeira na história a ocupar o cargo máximo da organização.”
— Nota oficial do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).
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