Lula Cita Donald Trump no RJ e Volta a Alertar: 'Se Ele Meter a Mão' na Eleição Brasileira, 'Vai Perder'
A dez dias do primeiro turno, presidente sobe o tom contra ingerência externa em São Gonçalo após discursar na ONU e rejeitar documento dos EUA sobre 'dissidentes políticos'.
Foto: Lula e Donald Trump em discurso na Assembleia Geral da ONU — Foto: REUTERS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (24), durante comício de campanha realizado no município de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A apenas dez dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, o petista declarou abertamente que o líder norte-americano sairá derrotado politicamente caso tente intervir na disputa eleitoral do país:
"Esse país que eu tenho dito para o [Donald] Trump que, nas eleições daqui, se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições. A gente não vai aceitar a ingerência de ninguém."
— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República e candidato à reeleição.
A declaração no palanque fluminense dá continuidade à linha discursiva adotada por Lula na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada na terça-feira (22), em Nova York. Na ocasião, o chefe do Executivo ressaltou perante a comunidade internacional que a democracia nacional pertence aos brasileiros e que o país "não cabe no quintal de ninguém", rechaçando pressões políticas externas e internas, embora não tivesse mencionado o nome do republicano na tribuna.
Apesar da coincidência de agendas em Nova York, onde o brasileiro abriu a sessão e foi sucedido no púlpito por Trump, as delegações não promoveram encontros bilaterais ou conversas de bastidor durante o revezamento dos chefes de Estado.
Rascunho Diplomático dos EUA e Rejeição do Itamaraty
O endurecimento da retórica governista responde a atritos diplomáticos recentes entre Washington e Brasília. Na última semana, em meio a rodadas de negociação sobre as sobretaxas tarifárias aplicadas contra produtos exportados pelo Brasil, a administração Trump enviou uma minuta formal exigindo que o país assegurasse a participação de "dissidentes políticos" no pleito geral de 2026.
A proposta — que não especificava nomes de lideranças políticas impedidas ou condenadas judicialmente — foi sumariamente rechaçada pela cúpula do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), cujos diplomatas classificaram os termos da exigência norte-americana como inaceitáveis e uma afronta direta à soberania jurídica nacional.
Aproximação da Oposição e Alertas Anteriores
A preocupação com interferências estrangeiras também se alimenta dos reiterados acenos de lideranças da oposição brasileira ao governo norte-americano:
Viagens e Encontros com Trump: O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário direto de Lula no pleito, viajou a Washington em maio e foi recebido por Trump na Casa Branca, ocasião em que debateram minerais críticos, taxas aduaneiras e segurança pública;
Conferência no Texas: Em março, durante um simpósio político no Texas, Flávio requereu publicamente que os EUA e nações do bloco ocidental exercessem "pressão diplomática" para tutelar o processo eleitoral brasileiro;
Diálogo Telefônico Bilateral: No final de agosto, Lula e Trump conversaram por cerca de uma hora e meia por telefone. Diante de questionamentos do republicano sobre o andamento das eleições de outubro, Lula assegurou a integridade das urnas e, dias depois, reiterou publicamente que havia avisado Trump de que eventuais tentativas de interferência seriam derrotadas.
"Esse país que eu tenho dito para o [Donald] Trump que, nas eleições daqui, se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições. A gente não vai aceitar a ingerência de ninguém."
— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República e candidato à reeleição.
A declaração no palanque fluminense dá continuidade à linha discursiva adotada por Lula na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada na terça-feira (22), em Nova York. Na ocasião, o chefe do Executivo ressaltou perante a comunidade internacional que a democracia nacional pertence aos brasileiros e que o país "não cabe no quintal de ninguém", rechaçando pressões políticas externas e internas, embora não tivesse mencionado o nome do republicano na tribuna.
Apesar da coincidência de agendas em Nova York, onde o brasileiro abriu a sessão e foi sucedido no púlpito por Trump, as delegações não promoveram encontros bilaterais ou conversas de bastidor durante o revezamento dos chefes de Estado.
Rascunho Diplomático dos EUA e Rejeição do Itamaraty
O endurecimento da retórica governista responde a atritos diplomáticos recentes entre Washington e Brasília. Na última semana, em meio a rodadas de negociação sobre as sobretaxas tarifárias aplicadas contra produtos exportados pelo Brasil, a administração Trump enviou uma minuta formal exigindo que o país assegurasse a participação de "dissidentes políticos" no pleito geral de 2026.
A proposta — que não especificava nomes de lideranças políticas impedidas ou condenadas judicialmente — foi sumariamente rechaçada pela cúpula do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), cujos diplomatas classificaram os termos da exigência norte-americana como inaceitáveis e uma afronta direta à soberania jurídica nacional.
Aproximação da Oposição e Alertas Anteriores
A preocupação com interferências estrangeiras também se alimenta dos reiterados acenos de lideranças da oposição brasileira ao governo norte-americano:
Viagens e Encontros com Trump: O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário direto de Lula no pleito, viajou a Washington em maio e foi recebido por Trump na Casa Branca, ocasião em que debateram minerais críticos, taxas aduaneiras e segurança pública;
Conferência no Texas: Em março, durante um simpósio político no Texas, Flávio requereu publicamente que os EUA e nações do bloco ocidental exercessem "pressão diplomática" para tutelar o processo eleitoral brasileiro;
Diálogo Telefônico Bilateral: No final de agosto, Lula e Trump conversaram por cerca de uma hora e meia por telefone. Diante de questionamentos do republicano sobre o andamento das eleições de outubro, Lula assegurou a integridade das urnas e, dias depois, reiterou publicamente que havia avisado Trump de que eventuais tentativas de interferência seriam derrotadas.
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