Lula Cita Ex-Banqueiro no RJ e Afirma que 'Amigo de Presidente É o Povo, Não É Vorcaro'
A dez dias da eleição, petista defende repasses a municípios de oposição em vistoria na BR-116; menção ocorre após defesa de Flávio Bolsonaro apresentar notícia-crime ao STF.
Foto: Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante ato de campanha no Rio de Janeiro — Foto: Foto: Ricardo Stuckert.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (24), durante agenda oficial no Rio de Janeiro, que a atuação do Executivo não deve privilegiar relações pessoais ou financeiras e citou nominalmente o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, ao defender que recursos públicos sejam direcionados exclusivamente para a população:
"É preciso mudar o jeito de governar o país, sempre levando em conta que algum benefício e qualquer benefício tem que ser feito em prol do povo, não em prol dos amigos. Quem é amigo de presidente é o povo, não é o Vorcaro, dono do Banco Master."
— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República.
A declaração ocorreu a apenas dez dias do primeiro turno das eleições, durante vistoria técnica às obras de melhoria e ampliação da infraestrutura da rodovia BR-116. No discurso, Lula pontuou que os investimentos federais são liberados independentemente de divergências partidárias com gestores municipais ou estaduais, criticando o que classificou como uma prática histórica de favorecimento a aliados:
"Pesquisem, duvido que um presidente já tenha feito a quantidade de investimentos que o governo federal faz aqui, numa região que não tem prefeito do PT, os prefeitos são de adversários. Por que eu faço essas obras? Porque, quando a gente governa e tem decência na cara, é para o povo e não para prefeito. Nunca perguntei de que partido é o prefeito. Cultura nesse país é pessoas governarem para amigos, prefeito amigo tem tudo. Sempre foi assim o Brasil, sempre foi assim. Me interessa o projeto, isso move minha cabeça para fazer investimento numa cidade. Ninguém quis saber o que é o prefeito, católico, evangélico, ateu, não me interessa o partido que ele é, mas se a obra é séria e importa para o povo da cidade."
Separação de Agendas e Notícia-Crime no STF
No início de sua manifestação, o presidente ressaltou o caráter institucional da visita às intervenções da BR-116 e às obras da Via Dutra, distinguindo o compromisso oficial de suas atividades de campanha partidária, que incluíam um comício eleitoral ao meio-dia no município fluminense de São Gonçalo: "Aqui não é campanha, é ato de presidente da República".
A reação contundente de Lula ocorre um dia após a assessoria jurídica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na disputa pelo Planalto, protocolar no Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra o presidente. A representação da oposição apoia-se em trocas de mensagens interceptadas pela Polícia Federal entre Daniel Vorcaro e o advogado Walfrido Warde, nas quais o defensor relata que Lula teria agradecido o envio de uma garrafa de uísque remetida pelo banqueiro.
Lula já havia confirmado publicamente ter mantido uma reunião fora da agenda oficial com Vorcaro em 2024, intermediada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Na ocasião do esclarecimento, o chefe do Executivo afirmou ter advertido o empresário de que o governo federal não exerceria qualquer interferência política ou administrativa sobre as apurações judiciais e policiais que envolviam as transações do Banco Master.
"É preciso mudar o jeito de governar o país, sempre levando em conta que algum benefício e qualquer benefício tem que ser feito em prol do povo, não em prol dos amigos. Quem é amigo de presidente é o povo, não é o Vorcaro, dono do Banco Master."
— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República.
A declaração ocorreu a apenas dez dias do primeiro turno das eleições, durante vistoria técnica às obras de melhoria e ampliação da infraestrutura da rodovia BR-116. No discurso, Lula pontuou que os investimentos federais são liberados independentemente de divergências partidárias com gestores municipais ou estaduais, criticando o que classificou como uma prática histórica de favorecimento a aliados:
"Pesquisem, duvido que um presidente já tenha feito a quantidade de investimentos que o governo federal faz aqui, numa região que não tem prefeito do PT, os prefeitos são de adversários. Por que eu faço essas obras? Porque, quando a gente governa e tem decência na cara, é para o povo e não para prefeito. Nunca perguntei de que partido é o prefeito. Cultura nesse país é pessoas governarem para amigos, prefeito amigo tem tudo. Sempre foi assim o Brasil, sempre foi assim. Me interessa o projeto, isso move minha cabeça para fazer investimento numa cidade. Ninguém quis saber o que é o prefeito, católico, evangélico, ateu, não me interessa o partido que ele é, mas se a obra é séria e importa para o povo da cidade."
Separação de Agendas e Notícia-Crime no STF
No início de sua manifestação, o presidente ressaltou o caráter institucional da visita às intervenções da BR-116 e às obras da Via Dutra, distinguindo o compromisso oficial de suas atividades de campanha partidária, que incluíam um comício eleitoral ao meio-dia no município fluminense de São Gonçalo: "Aqui não é campanha, é ato de presidente da República".
A reação contundente de Lula ocorre um dia após a assessoria jurídica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na disputa pelo Planalto, protocolar no Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra o presidente. A representação da oposição apoia-se em trocas de mensagens interceptadas pela Polícia Federal entre Daniel Vorcaro e o advogado Walfrido Warde, nas quais o defensor relata que Lula teria agradecido o envio de uma garrafa de uísque remetida pelo banqueiro.
Lula já havia confirmado publicamente ter mantido uma reunião fora da agenda oficial com Vorcaro em 2024, intermediada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Na ocasião do esclarecimento, o chefe do Executivo afirmou ter advertido o empresário de que o governo federal não exerceria qualquer interferência política ou administrativa sobre as apurações judiciais e policiais que envolviam as transações do Banco Master.
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