Lula Embarca para Nova York para Abrir a 81ª Assembleia Geral da ONU em Meio a Expectativa de Contato com Trump
Presidente faz tradicional discurso inaugural na terça-feira (22), prevê recados sobre soberania sem citar nomes e cumpre agendas com o prefeito Zohran Mamdani e o secretário-geral António Guterres.
Foto: Lula discursa na ONU em 23 de setembro de 2025 — Foto: AL DRAGO/Reuters
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para os Estados Unidos para chefiar a delegação brasileira na 81ª Sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), sediada em Nova York. O chefe de Estado brasileiro cumpre a secular tradição diplomática de realizar o discurso de abertura do debate geral de chefes de Estado e de governo na próxima terça-feira (22), posição inaugurada pelo Brasil no plenário das Nações Unidas em 1955.
A presença do mandatário norte-americano Donald Trump — que subirá à tribuna logo após o líder brasileiro — ampliou as atenções nos bastidores para a possibilidade de um contato informal ou cumprimento entre os dois presidentes nos corredores do quartel-general da ONU. A comitiva do Planalto informou ter recebido cerca de 30 pedidos formais para reuniões bilaterais com governantes estrangeiros, mas a maioria não será atendida em razão do afunilamento de tempo e das restrições de segurança na área diplomática de Manhattan.
Além da assembleia, Lula tem encontro bilateral marcado com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e um despacho reservado com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A sessão deste ano é presidida pelo chanceler de Bangladesh, Khalilur Rahman, e tem como lema oficial *"Restaurando a confiança e administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos"*.
Cronograma de Compromissos em Nova York
A passagem presidencial pela cidade norte-americana será concisa antes do retorno imediato a Brasília:
20 de setembro (domingo): Desembarque e instalação da comitiva em Nova York;
21 de setembro (segunda-feira): Dia de trabalho voltado ao alinhamento diplomático, reunião com o prefeito Zohran Mamdani, audiência com António Guterres, avaliação de bilaterais e revisão detalhada do discurso oficial;
22 de setembro (terça-feira): Pronunciamento inaugural no plenário da Assembleia Geral da ONU e decolagem de retorno ao Brasil.
Após a partida do presidente, o chanceler Mauro Vieira permanecerá na sede da organização durante a semana liderando a delegação em compromissos ministeriais, incluindo reuniões de alto nível no Conselho de Segurança sobre a crise humanitária na Palestina, direito internacional e pactos multilaterais.
A missão conta ainda com os ministros João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Eloy Terena (Povos Indígenas), Rachel Barros (Igualdade Racial) e o assessor-chefe adjunto da Presidência, Audo Faleiro.
Tom Polido e Recados Contra Ingerência Externa
No pronunciamento, Lula reforçará as linhas permanentes da chancelaria nacional: defesa intransigente do multilateralismo, primazia das soluções pacíficas para conflitos armados, preservação do direito humanitário, cooperação transnacional contra o crime organizado, governança de inteligência artificial e financiamento climático. Em relação ao crime organizado, a estratégia de comunicação prevê demonstrar as ações internas e cobrar cooperação global, sem personalismos ou menções diretas a Trump ou ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Auxiliares diplomáticos revelam que o texto reservará espaço para advertências firmes em defesa da soberania e dos ritos democráticos contra ingerências estrangeiras no pleito brasileiro de outubro, mirando de forma indireta posturas dos Estados Unidos, da Argentina e de Israel. A recomendação da equipe é preservar um tom institucional e polido, assegurando firmeza política sem precipitar atritos formais às portas da eleição.
Reforma do Conselho de Segurança e Apoio a Bachelet
Lula voltará a cobrar a reformulação emergencial da governança global, denunciando a ineficácia e o anacronismo do Conselho de Segurança da ONU. O petista tem argumentado que o poder de veto concentrado nos cinco membros permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) paralisa a mediação de paz, sobretudo quando potências do próprio órgão estão diretamente beligerantes ou financiando hostilidades. O Brasil pleiteia a expansão do conselho com novos assentos permanentes para nações do Sul Global e potências regionais, incluindo o próprio país, a África do Sul, a Alemanha e o Japão.
A passagem coincide ainda com as articulações da sucessão de António Guterres no secretariado-geral. Em observância ao princípio da alternância regional e de gênero, a diplomacia brasileira já declarou apoio integral à postulação da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet para assumir o comando máximo das Nações Unidas.
A presença do mandatário norte-americano Donald Trump — que subirá à tribuna logo após o líder brasileiro — ampliou as atenções nos bastidores para a possibilidade de um contato informal ou cumprimento entre os dois presidentes nos corredores do quartel-general da ONU. A comitiva do Planalto informou ter recebido cerca de 30 pedidos formais para reuniões bilaterais com governantes estrangeiros, mas a maioria não será atendida em razão do afunilamento de tempo e das restrições de segurança na área diplomática de Manhattan.
Além da assembleia, Lula tem encontro bilateral marcado com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e um despacho reservado com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A sessão deste ano é presidida pelo chanceler de Bangladesh, Khalilur Rahman, e tem como lema oficial *"Restaurando a confiança e administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos"*.
Cronograma de Compromissos em Nova York
A passagem presidencial pela cidade norte-americana será concisa antes do retorno imediato a Brasília:
20 de setembro (domingo): Desembarque e instalação da comitiva em Nova York;
21 de setembro (segunda-feira): Dia de trabalho voltado ao alinhamento diplomático, reunião com o prefeito Zohran Mamdani, audiência com António Guterres, avaliação de bilaterais e revisão detalhada do discurso oficial;
22 de setembro (terça-feira): Pronunciamento inaugural no plenário da Assembleia Geral da ONU e decolagem de retorno ao Brasil.
Após a partida do presidente, o chanceler Mauro Vieira permanecerá na sede da organização durante a semana liderando a delegação em compromissos ministeriais, incluindo reuniões de alto nível no Conselho de Segurança sobre a crise humanitária na Palestina, direito internacional e pactos multilaterais.
A missão conta ainda com os ministros João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Eloy Terena (Povos Indígenas), Rachel Barros (Igualdade Racial) e o assessor-chefe adjunto da Presidência, Audo Faleiro.
Tom Polido e Recados Contra Ingerência Externa
No pronunciamento, Lula reforçará as linhas permanentes da chancelaria nacional: defesa intransigente do multilateralismo, primazia das soluções pacíficas para conflitos armados, preservação do direito humanitário, cooperação transnacional contra o crime organizado, governança de inteligência artificial e financiamento climático. Em relação ao crime organizado, a estratégia de comunicação prevê demonstrar as ações internas e cobrar cooperação global, sem personalismos ou menções diretas a Trump ou ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Auxiliares diplomáticos revelam que o texto reservará espaço para advertências firmes em defesa da soberania e dos ritos democráticos contra ingerências estrangeiras no pleito brasileiro de outubro, mirando de forma indireta posturas dos Estados Unidos, da Argentina e de Israel. A recomendação da equipe é preservar um tom institucional e polido, assegurando firmeza política sem precipitar atritos formais às portas da eleição.
Reforma do Conselho de Segurança e Apoio a Bachelet
Lula voltará a cobrar a reformulação emergencial da governança global, denunciando a ineficácia e o anacronismo do Conselho de Segurança da ONU. O petista tem argumentado que o poder de veto concentrado nos cinco membros permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) paralisa a mediação de paz, sobretudo quando potências do próprio órgão estão diretamente beligerantes ou financiando hostilidades. O Brasil pleiteia a expansão do conselho com novos assentos permanentes para nações do Sul Global e potências regionais, incluindo o próprio país, a África do Sul, a Alemanha e o Japão.
A passagem coincide ainda com as articulações da sucessão de António Guterres no secretariado-geral. Em observância ao princípio da alternância regional e de gênero, a diplomacia brasileira já declarou apoio integral à postulação da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet para assumir o comando máximo das Nações Unidas.
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