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Na ONU, Lula Cobra Reforma do Conselho de Segurança e Defende Negociação para Encerrar Guerras

Em discurso de abertura em Nova York, presidente aponta crise de credibilidade das Nações Unidas, critica imobilismo do colegiado de paz e defende inclusão de países da América Latina e da África.

VT

Por Da Redação

22/09/2026 às 11:16

Na ONU, Lula Cobra Reforma do Conselho de Segurança e Defende Negociação para Encerrar Guerras
Foto: O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, chega para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU, em Nova York, EUA, em 22 de setembro de 2026. — Foto: David Dee Delgado/Reuters
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou uma atuação contundente e efetiva da Organização das Nações Unidas (ONU) na mediação e na prevenção de conflitos globais durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, realizado na manhã desta terça-feira (22), em Nova York. No pronunciamento, o mandatário brasileiro voltou a colocar a reforma estrutural do Conselho de Segurança como pauta inadiável para a diplomacia internacional.

Em tom enfático, Lula destacou a gravidade do cenário geopolítico atual e expressou descontentamento com a paralisia das ferramentas multilaterais:

"Essa é a 10ª ocasião em que abro o debate geral dessa assembleia este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevada: de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis nunca esteve tão pequena [...]. Há um imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre seu papel."

— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República do Brasil.

O presidente sustentou a primazia de negociações pacíficas para pôr fim aos confrontos armados e afirmou que a entidade precisa restabelecer sua autoridade diplomática para evitar a eclosão de novas disputas bélicas no mundo.

Poder de Veto e Crítica à Paralisia Estrutural
O modelo de governança do Conselho de Segurança foi o foco das críticas de Lula. O colegiado conta com 15 nações integrantes, mas concentra em apenas cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — o poder unilateral de veto:

Bloqueio Político: O mecanismo possibilita que qualquer um dos cinco membros permanentes barre decisões aprovadas pela expressiva maioria dos demais integrantes, paralisando resoluções de contenção militar;

Conflito de Interesses: As potências detentoras do veto encontram-se direta ou indiretamente envolvidas em frentes de guerra atuais, o que inviabiliza consensos voltados ao cessar-fogo;

Expansão Representativa: A diplomacia brasileira defende a ampliação imediata das cadeiras permanentes para acolher nações da América Latina, do continente africano e de outras regiões geopolíticas sem representação decisória.

Impactos Econômicos e Crises Humanitárias
A manifestação de Lula ocorre sob o impacto contínuo de conflitos como a guerra na Ucrânia e as crises humanitárias e de segurança no Oriente Médio, episódios que aprofundaram as divisões entre os países-membros e inviabilizaram a eficácia das resoluções das Nações Unidas.

O presidente frisou que as hostilidades armadas trazem consequências socioeconômicas diretas em escala global, impactando severamente os preços internacionais de alimentos, fertilizantes agrícolas e combustíveis, alimentando a inflação mundial e provocando deslocamentos forçados e tragédias humanitárias em diversas regiões.

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