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Na ONU, Lula Defende Soberania, Rejeita Ingerência Externa e Afirma que Brasil 'Não Cabe no Quintal de Ninguém'

Em abertura do debate geral em Nova York, presidente alerta para ameaças à democracia às vésperas da eleição de 4 de outubro, contesta tarifas unilaterais e defende exploração da Margem Equatorial.

VT

Por Da Redação

22/09/2026 às 11:23

Na ONU, Lula Defende Soberania, Rejeita Ingerência Externa e Afirma que Brasil 'Não Cabe no Quintal de Ninguém'
Foto: O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU em Nova York, em 22 de setembro de 2026 — Foto: TIMOTHY A. CLARY/AFP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma enfática defesa da soberania nacional e do princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros Estados soberanos durante o discurso inaugural da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizado nesta terça-feira (22), em Nova York. Em pronunciamento marcado pelo contexto de atrito diplomático com a administração do republicano Donald Trump, Lula declarou expressamente que o país não aceitará subordinações geopolíticas:

"Este Conselho [de Segurança da ONU] agora deve se debruçar sobre temas determinantes sobre o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Soberania ou subordinação? O Brasil não cabe no quintal de ninguém e precisa de parceiros com agenda positiva, que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais."

— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República do Brasil.

O recado ocorre em plena reta final da campanha presidencial brasileira — com primeiro turno agendado para o dia 4 de outubro —, momento em que o Planalto manifesta crescente apreensão quanto a iniciativas de Washington para interferir na dinâmica eleitoral interna. Lula disputa a sucessão com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que viajou aos Estados Unidos em maio e foi recebido por Trump na Casa Branca.

A tensão bilateral foi agravada pela imposição de sobretaxas aduaneiras e medidas tarifárias contra exportações brasileiras pelo governo americano, decisões contestadas formalmente pelo governo federal. Por tradição mantida desde 1955, o Brasil foi o primeiro dos 193 Estados-membros a discursar no debate geral, sendo sucedido na tribuna pelo próprio presidente Donald Trump.

Pauta Multilateral e Transição Energética
Além da centralidade conferida à soberania política e à integridade dos processos democráticos, o pronunciamento de Lula abrangeu temas centrais da conjuntura global:

Multilateralismo e Comércio: Críticas ao protecionismo tarifário unilateral e defesa de negociações de paz para a superação de guerras ativas;

Segurança e Tecnologia: Propostas para cooperação internacional no enfrentamento às facções do crime organizado transnacional e pactos éticos para a governança de inteligência artificial;

Agenda Ambiental: Destaque para a curva de redução do desmatamento e para a matriz brasileira de energia limpa, sob o lema de que "a floresta vale mais em pé".

Ao detalhar a política energética e de recursos minerais, o presidente pontuou que o país tem capacidade técnica e ambiental para compatibilizar conservação e descarbonização com o desenvolvimento econômico. Nesse ponto, Lula defendeu a exploração de jazidas da Margem Equatorial e reservas de minerais de terras raras para abastecer a transição ecológica global, sustentando que os recursos naturais nacionais pertencem ao povo brasileiro e devem ser revertidos em benefício direto da população.

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