Reajuste do Bolsa Família é Aposta de Lula para Mudar Foco da Eleição Após Crise no STF
Planalto usa benefício a 17 dias do pleito para desviar o debate dos desgastes com o Judiciário e impor dilema à campanha de Flávio Bolsonaro; ação de deputado no TSE é extinta por Mendonça.
Foto: Presidente Lula — Foto: Foto: Ricardo Stuckert.
A decisão do governo federal de reajustar os valores do Bolsa Família vinha sendo gestada há semanas por quadros técnicos e políticos do Ministério da Fazenda como antídoto para estancar o mau humor do eleitorado com o custo de vida. No entanto, a confirmação definitiva da medida só foi acelerada após o agravamento da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF). No comitê de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o diagnóstico é direto: a pauta social tira o embate eleitoral da arena jurídica de Brasília, cenário amplamente desfavorável ao petista.
O desgaste governista acentuou-se após a atuação incisiva do ministro Flávio Dino, que suspendeu com pedido de vista o julgamento sobre a abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes no plenário extraordinário. Figura mais identificada com o atual governo na Corte — tendo sido ministro da Justiça e protagonista no enfrentamento aos atos de 8 de janeiro —, a articulação de Dino fragilizou o discurso de Lula de que "todos devem ser investigados sem blindagem".
Conceder o reajuste a meros 17 dias do primeiro turno expõe o governo a críticas sobre responsabilidade fiscal, mas os estrategistas petistas calcularam o risco: a pecha de descontrole orçamentário já é rotineiramente explorada pela oposição e compensa o dividendo político de injetar recursos em um programa que contempla mais de 19 milhões de famílias — alcançando aproximadamente 50 milhões de pessoas, quase um quarto da população nacional. A cartada busca reconectar a candidatura à base popular em um momento no qual as sondagens apontavam descontentamento com a economia, a despeito dos índices positivos de emprego e inflação.
O Dilema Imposto a Flávio Bolsonaro
Na leitura do entorno de Lula, o pacote social atua como uma armadilha política contra a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL): atacar frontalmente uma medida de transferência de renda gera o risco iminente de perda de votos nas faixas mais vulneráveis.
Ciente dessa armadilha, a cúpula da campanha liberal adotou postura cautelosa. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, procurou desviar o ataque do benefício em si para focar nos efeitos macroeconômicos em entrevista à GloboNews:
"Não estão preocupados com o que vai acontecer no país adiante. Irresponsabilidade fiscal é a tônica deste governo. E na hora que isso acontece vem as consequências, como os juros estratosféricos. Vamos mostrar isso na campanha."
— Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
Apesar da cautela da coordenação, a iniciativa individual do deputado federal Zé Trovão (PL-SC), que ingressou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para barrar o reajuste, criou ruído e passivo discursivo para a campanha do PL. A ação, no entanto, foi prontamente extinta sem julgamento do mérito pelo ministro André Mendonça, relator do caso na Corte Eleitoral, sob o fundamento de que o parlamentar não detém legitimidade ativa para propor essa modalidade de medida judicial.
A ofensiva social soma-se à tentativa do comando petista de retomar o controle da narrativa pública, explorando lembranças de crises da gestão de Jair Bolsonaro e rebatendo as recentes declarações de Donald Trump sobre a segurança pública e as facções criminosas no Brasil.
O desgaste governista acentuou-se após a atuação incisiva do ministro Flávio Dino, que suspendeu com pedido de vista o julgamento sobre a abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes no plenário extraordinário. Figura mais identificada com o atual governo na Corte — tendo sido ministro da Justiça e protagonista no enfrentamento aos atos de 8 de janeiro —, a articulação de Dino fragilizou o discurso de Lula de que "todos devem ser investigados sem blindagem".
Conceder o reajuste a meros 17 dias do primeiro turno expõe o governo a críticas sobre responsabilidade fiscal, mas os estrategistas petistas calcularam o risco: a pecha de descontrole orçamentário já é rotineiramente explorada pela oposição e compensa o dividendo político de injetar recursos em um programa que contempla mais de 19 milhões de famílias — alcançando aproximadamente 50 milhões de pessoas, quase um quarto da população nacional. A cartada busca reconectar a candidatura à base popular em um momento no qual as sondagens apontavam descontentamento com a economia, a despeito dos índices positivos de emprego e inflação.
O Dilema Imposto a Flávio Bolsonaro
Na leitura do entorno de Lula, o pacote social atua como uma armadilha política contra a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL): atacar frontalmente uma medida de transferência de renda gera o risco iminente de perda de votos nas faixas mais vulneráveis.
Ciente dessa armadilha, a cúpula da campanha liberal adotou postura cautelosa. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, procurou desviar o ataque do benefício em si para focar nos efeitos macroeconômicos em entrevista à GloboNews:
"Não estão preocupados com o que vai acontecer no país adiante. Irresponsabilidade fiscal é a tônica deste governo. E na hora que isso acontece vem as consequências, como os juros estratosféricos. Vamos mostrar isso na campanha."
— Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
Apesar da cautela da coordenação, a iniciativa individual do deputado federal Zé Trovão (PL-SC), que ingressou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para barrar o reajuste, criou ruído e passivo discursivo para a campanha do PL. A ação, no entanto, foi prontamente extinta sem julgamento do mérito pelo ministro André Mendonça, relator do caso na Corte Eleitoral, sob o fundamento de que o parlamentar não detém legitimidade ativa para propor essa modalidade de medida judicial.
A ofensiva social soma-se à tentativa do comando petista de retomar o controle da narrativa pública, explorando lembranças de crises da gestão de Jair Bolsonaro e rebatendo as recentes declarações de Donald Trump sobre a segurança pública e as facções criminosas no Brasil.
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