sexta-feira, abril 16, 2021
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Coração de pai

Para celebrar os 150 anos da declaração do Esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica (1870-Pio IX), o Papa Francisco proclamou, 2021, o “ANO DE S. JOSÉ”, com a carta apostólica: “PATRIS CORDE” (Coração de Pai).

As reflexões da Carta retomam a mensagem contida nos Evangelhos para ressaltar, ainda mais, o papel central de José na história da salvação. José, com coração de Pai, amou a Jesus, designado nos quatro evangelhos como “O Filho de José”.

O Pai providente, escolheu José para cuidar de seus dois mais preciosos tesouros no mundo: o seu filho amado Jesus e Virgem Santíssima. José, prontamente, atendeu ao apelo do Pai.

Ele teve a coragem de assumir a paternidade legal de Jesus, a quem deu o nome revelado pelo anjo: “Tu lhe porás o nome de Jesus, pois Ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21). Portanto, a Majestade Divina entra no mundo através da família de Nazaré, cujo guardião era José. Depois de Maria, a mãe de Deus, nenhum santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo.

Algumas lições podem ser extraídas da vida de José:  a proximidade com o filho de Deus. José Carregou Jesus, Filho de Deus, nos braços! Esta proximidade e intimidade com Jesus, do qual é Pai adotivo, o transformou num grande santo. Podemos dizer que a santidade de Jesus é transferida para José.  A lição do silêncio:  José foi o santo do silêncio.

O evangelho não registra nenhuma palavra dita por José. Ele construiu a santidade na simplicidade, na humildade e no silêncio de Nazaré. Como precisamos, hoje, cultivar a estima pelo silêncio, essa admirável e indispensável condição do espírito. Somos hoje, assediados por tantos clamores, ruídos e gritos da vida moderna, barulhenta e estressante.

Vivemos, hoje, a Síndrome da exteriorização existencial, gerador da crise da vida interior. A interioridade favorece nosso encontro com Deus e conosco mesmo. A lição da paternidade. Notamos em José, um profundo espírito de paternidade.

Cultivava uma presença paterna atenta, carinhosa e permanente junto de Maria e o Menino Jesus. Era sua missão: proteger e guardar com fidelidade a Sagrada família.  Foi admirável a coragem de José em deixar tudo e seguir para o Egito a fim de proteger o Menino do sanguinário Herodes (Mt 2,13).  A lição do amor ao trabalho. Jesus era conhecido como o “filho do carpinteiro.”

Certamente ensinou ao seu filho adotivo a importância do trabalho. Na cultura judaica, reinava uma mentalidade entre os Rabinos: “O pai que não ensinasse um oficio ao filho, o transformaria em um ladrão”. Coube a José a nobilíssima missão de dar cidadania a Jesus.

Por ser um artesão, Pio XII, em 1955, o proclamou patrono dos trabalhadores e trabalhadoras, e de todos aqueles que ganham o pão com o suor do rosto. O apelido de José, “o carpinteiro” nos lembra de que o trabalho é parte da identidade humana.

Somos conhecidos pelo que fazemos. Por isso, que o desemprego gera depressão nas pessoas. Pois é uma agressão à sua identidade! Na economia da salvação, o trabalho é considerado um instrumento de santificação do homem, transformação do mundo e glorificação à Deus.

Dia 19 de Março é a solenidade litúrgica do glorioso S. José. Recorramos ao guardião do Redentor para que interceda com suas orações junto ao seu filho adotivo, para que não faltem postos de trabalhos aos desempregados em tempos de Pandemia! Lembrando sempre, que a geração de emprego é o melhor programa social de qualquer governo! Quando teremos uma sociedade de pleno emprego para todos?  São José, valei-nos!

Deusdédit é padre da Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.

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