A Crise Global que Flávio Bolsonaro ou Lula Terão de Enfrentar: Embates com os EUA, Rivalidade Pequim-Washington e América do Sul Fraturada
Especialistas apontam que o próximo presidente do Brasil lidará com um xadrez de "surrealpolitik", marcado pela pressão tarifária de Donald Trump, o dilema da dependência comercial com a China e o isolamento estratégico na região.
Independentemente de quem sair vitorioso das urnas no próximo dia 25 de outubro, o futuro chefe do Poder Executivo brasileiro terá de encarar um tabuleiro internacional substancialmente mais hostil, volátil e imprevisível a partir de 2027. Para além de afinidades ideológicas automáticas — de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com governos do campo progressista ou de Flávio Bolsonaro (PL) com lideranças da direita global —, a geopolítica internacional ingressará em uma etapa de transformações estruturais já no início do próximo mandato.
A conjuntura internacional é sintetizada pelo economista Otaviano Canuto, professor da Elliott School of International Affairs da George Washington University, ex-vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ex-diretor do Banco Mundial:
"A conjuntura global que o próximo presidente do Brasil vai encontrar, daqui alguns meses, será muito mais complexa do que a de hoje."
— Otaviano Canuto, economista e professor da George Washington University.
O cenário é agravado pela aproximação das eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, nas quais projeções apontam uma provável maioria do Partido Democrata no Congresso americano, gerando mais instabilidade e atritos institucionais para o governo de Donald Trump até o encerramento do seu mandato em 2029. Na Europa, os pleitos presidenciais na França (em abril e maio de 2027), na Espanha (em agosto) e as eleições gerais na Argentina (em outubro) devem reformular completamente o equilíbrio de forças internacionais.
Para o professor do Departamento de Estudos de Guerra do King’s College, em Londres, Vinícius Mariano de Carvalho, o ambiente internacional migrou para o que ele classifica como uma "surrealpolitik" — desconstruindo a tradicional realpolitik de interesses previsíveis:
"O presidente eleito pode esquecer qualquer ideia de ter relações lógicas com os outros países. O padrão geopolítico de hoje é o de falta de coerência e de regulação."
— Vinícius Mariano de Carvalho, professor do King's College London.
Analistas internacionais ouvidos pela reportagem são enfáticos ao apontar que o Itamaraty terá de equacionar com urgência três vetores de pressão máxima:
Reconstruir pontes funcionais com a Casa Branca sob a administração Trump;
Encontrar posicionamento seguro no confronto entre Washington e Pequim, sem ser subordinado por nenhum dos dois eixos;
Superar a paralisia decisória em uma América do Sul geopoliticamente fragmentada.
Caso Lula vença, enfrentará o endurecimento do que analistas chamam de uma "doutrina Donroe" beligerante por parte de Trump, sofrendo retaliações em tarifas e barreiras aos investimentos chineses, além da perda de seu principal aliado europeu com o fim do mandato de Emmanuel Macron na França. Por outro lado, o petista preservaria canais estratégicos com os Brics, Índia, México e a Rússia de Vladimir Putin.
Já em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, haveria dois anos de alinhamento com a administração republicana e vizinhos conservadores recém-empossados na América do Sul — como José Antonio Kast no Chile, Abelardo de la Espriella na Colômbia e Rodrigo Paz na Bolívia. Contudo, Canuto pondera:
"Se o desafio de Lula seria reagir a Trump, o de Flávio seria como materializar a agenda, interna e regional, que a Casa Branca espera de um Brasil alinhado aos EUA. O grande ponto é: diante da transição energética e tecnológica, como tomar a decisão de se o Brasil vai negociar seus minerais críticos e suas terras raras como commodity de exportação ou a partir do valor agregado delas, isto é, pelo poder de barganha? Esse é o debate."
Entre Trump e o Próximo Presidente dos EUA

Desde seu retorno ao poder no início de 2025, Donald Trump acumulou medidas com impacto direto na estabilidade interna brasileira: elevou as tarifas de importação para 35% sobre manufaturados nacionais, enquadrou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como "organizações terroristas" — o que abre brecha legal para operações militares extraterritoriais — e manteve declarações dúbias sobre Lula, oscilando entre elogios pontuais e chamá-lo publicamente de "volátil", até declarar que "não poderia se importar menos com ele".
Em contrapartida, Trump estreitou laços com o clã Bolsonaro: recebeu Flávio em audiência em Washington em maio de 2026 e concedeu visto de residência permanente ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, atualmente radicado no Texas. No final de setembro, Eduardo chegou a publicar gravação em suas redes sociais prometendo uma demissão em massa de diplomatas de carreira no Itamaraty acusados de "sabotar" as diretrizes do governo de Jair Bolsonaro caso Flávio saia vitorioso. Em paralelo, o jornal The Washington Post noticiou em julho que a Casa Branca tentou despachar emissários ao Brasil para semear suspeitas contra a lisura das urnas eletrônicas.
Para Feliciano de Sá Guimarães, diretor do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a figura do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio — cotado para a corrida republicana à Presidência em 2028 —, impõe um obstáculo severo a Lula:
"Lula teria uma relação muito difícil com os EUA, na verdade, por causa do Marco Rubio. Vejo ele pressionando o Brasil em várias instâncias, enquanto Trump seria mais transacional, esperando negociações tarifárias e em outros temas onde ele entende que nós poderíamos ceder."
— Feliciano de Sá Guimarães, diretor do Cebri.
Em julho, Rubio atacou duramente o presidente brasileiro, afirmando que Lula "colocou seu ego acima" da celebração de entendimentos bilaterais. Contudo, Sá Guimarães adverte que um eventual mandato de Flávio também sofreria tensões:
"Ainda que a família tivesse, de partida, uma relação positiva com eles, essa gestão, a longo prazo, tenderia a se deteriorar. Trump pressionaria por um afastamento da China, e o custo econômico e político disso seria muito alto para o Brasil. A pressão continuaria, portanto, mas com outros instrumentos."
Para o especialista, tanto Lula quanto Flávio terão como dever primordial demonstrar que o Brasil não representa uma ameaça:
"É um erro de leitura deles, porque não somos inimigos. Será mais um trabalho de convencimento. Essa precisa ser a prioridade máxima, porque não podemos entrar na mira dos Estados Unidos de jeito nenhum. Basta ver o que aconteceu com os venezuelanos e com os iranianos. Esse convencimento seria mais fácil para Flávio Bolsonaro do ponto de vista ideológico, mas, do ponto de vista material, Lula teria mais condições de convencê-los de que estão errados."
Sá Guimarães enfatiza que a agressividade americana independe de partidos:
"Depois de todos esses entraves – tarifas, facções, etc. –, não dá para imaginar que um futuro governo democrata os retiraria sem pedir nada em troca. Haveria, no máximo, um maior espaço de negociação. Dizer o contrário disso é desconhecer o funcionamento de uma superpotência."
O coordenador de Pós-Graduação em Relações Internacionais da FAAP, Lucas Leite, observa que as opções de modelo de inserção externa colidem abertamente:
"Essa aliança isolou o Brasil, mas, por outro lado, os países do Cone Sul têm uma relação de dependência com o Brasil. Construir essas relações atravessadas seria difícil para Lula. Um governo Flávio, por sua vez, seria de alinhamento automático aos EUA, com uma abertura imediata de exploração de minerais raros às empresas americanas, um distanciamento maior dos Brics — que passariam a ver o Brasil como um ator não confiável — e o fim do multilateralismo. Não vejo outra forma de chamar isso que não 'subserviência'."
— Lucas Leite, coordenador de Relações Internacionais da FAAP.
Kai Enno Lehmann, do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI-USP), recorda o padrão de volatilidade de Trump com aliados:
"Já vimos que ele não se importa muito com as pessoas. Jogou fora aliados próximos quando entendeu que eles não serviam mais. Pode acontecer nessa relação também."
Após 2028, com o término do mandato de Trump — que já cogita manobras para viabilizar um projeto "Trump 2028", disputado internamente por seu vice J.D. Vance e Marco Rubio, enquanto os democratas testam nomes como Gavin Newsom e Alexandria Ocasio-Cortez —, o chefe do Planalto governará dois anos sob uma nova liderança na Casa Branca.
Nas palavras de Lucas Leite:
"Ao se aproximar dos Brics, da Europa e da China com uma agenda própria, o Brasil mostrou a Washington que pretende seguir uma agenda de soberania nacional. Os Estados Unidos olham isso com desconfiança, para além do governante de ocasião, e vão buscar intervenções mais diretas ou então buscar garantir os interesses deles por outros meios."
O 'Desafio de Janus' e a Gravidade Comercial da China

Na disputa entre potências, a rivalidade sino-americana evoca a clássica "armadilha de Tucídides", citada pelo presidente chinês Xi Jinping em recente jantar formal com Trump em Nova York. No entanto, para o diretor do Cebri, a encruzilhada de Brasília responde melhor pelo nome de "desafio de Janus" — divindade romana de duas faces opostas:
"Estamos presos nessa armadilha: toda vez que os americanos usam instrumentos coercitivos contra o Brasil, o governo brasileiro pega o telefone, liga para o Xi Jinping e extrai dele algum tipo de benefício — um novo acordo, um investimento, um tratado, etc. Daí, os Estados Unidos são incentivados a usar mais instrumentos coercitivos para tentar manter o Brasil na sua esfera de controle, e o ciclo se perpetua. Para sair disso, o próximo governo vai ter que criar uma estratégia de negociação trilateral. É o único jeito de não ser capturado pela rivalidade EUA-China."
— Feliciano de Sá Guimarães.
Otaviano Canuto recorda que a pressão americana contra os recursos chineses já ocorria em sua época no Banco Mundial:
"E sempre tinha uma mensagem dos democratas e dos republicanos assim: 'Não peguem dinheiro chinês. Vocês vão se endividar e terão que entregar mais coisas do que esperavam quando chegar a hora de negociar a dívida. Vocês vão ficar nas mãos deles'. A resposta do Brasil, entre os vários governos — do Fernando Henrique Cardoso ao Bolsonaro — era a mesma: 'Ok, mas o que vocês propõem colocar no lugar? Vocês têm algo para oferecer?'."
Os indicadores econômicos revelam a dependência estrutural:
A China comprou 28,7% de todas as exportações brasileiras no último ano, injetando cerca de US$ 100 bilhões no balanço comercial do país, superando os Estados Unidos (10,8%) e a Argentina (5,8%), conforme dados do MDIC;
O Brasil figurou como o maior destino global de investimentos chineses em 2025, totalizando US$ 6,1 bilhões — uma disparada de 45% apurada pelo Conselho Empresarial Brasil-China;
Em contrapartida, os investimentos diretos dos EUA no Brasil recuaram de US$ 12 bilhões em 2024 para US$ 8,5 bilhões no ano passado, segundo o Banco Central.
Lucas Leite avalia que o agronegócio e a indústria brasileira não tolerariam um distanciamento de Pequim:
"Eu duvido muito que algum governo consiga tirar a China desse lugar de principal parceiro comercial. A necessidade de pragmatismo nessa relação foi colocada com força pelo próprio empresariado do país, sobretudo o do agronegócio, durante o governo de Jair Bolsonaro."
Vinícius de Carvalho corrobora ao citar a relevância dos Brics ampliado (com o ingresso recente de Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito, Etiópia, Irã e Indonésia):
"O bloco é uma realidade econômica importante para o mundo. Lula, obviamente, não mudaria o rumo do país dentro dele, mas tampouco imagino que o Flávio faria um movimento radical (como tirar o país dos Brics), visto o quanto ela seria danosa para a nossa economia."
Canuto reforça que a disputa tecnológica ditará o ritmo da pressão:
"EUA e China concentram, hoje, 70% dos datacenters especializados em IA no mundo. É um duopólio em meio a um caos multipolar. Com isso, ambas as potências reforçam as fricções globais. As buscas por minerais críticos, a questão da soberania digital, a regulação das plataformas e a transformação das fontes de energia em ativos energéticos serão linhas de frente paralelas dessa competição."
América do Sul 'Fraturada' e o Tabuleiro Argentino
Na vizinhança regional, o mandatário brasileiro assumirá a liderança de uma América do Sul polarizada: sete nações sob o comando da centro-direita ou direita radical e cinco geridas por partidos do campo progressista. A divisão paralisou agendas de integração e esvaziou o Mercosul.
A crise ganhou contornos militares com a criação, pelos Estados Unidos, do "Escudo das Américas" — uma aliança bélica regional integrada por 14 países, incluindo vizinhos de fronteira como Colômbia, Bolívia e Argentina, que contornou o território brasileiro.
Nas palavras de Sá Guimarães:
"Essa é, na verdade, uma aliança anti-Brasil. Por isso, o governo brasileiro precisará ofertar alguns ganhos a esses países, para que eles percebam que é importante terem uma boa relação conosco. Tem que ser uma estratégia para conter as ações dos americanos contra o Brasil no continente."
O analista prega a necessidade de um "bilateralismo agressivo", no qual o Brasil ofereça vantagens comerciais e de infraestrutura individualizadas a cada país, sem condicionar acordos a blocos regionais. Embora Flávio Bolsonaro desfrute de alinhamento com os governantes da região, Sá Guimarães adverte que a lua de mel duraria pouco:
"Ele teria seis meses de boas-vindas. Aí as questões estruturais se colocariam: nossa relação mais forte com a China e a tentativa dos EUA de fazê-los diminuir as trocas econômicas com o Brasil para que se aproximem de Washington."
Kai Enno Lehmann ressalta o perigo dos planos armamentistas de Trump na região:
"Não sabemos se haverá uma 'nova Venezuela'. E, se o Lula ganhar, Trump vai entrar em um confronto mais direto com o Brasil? Se for Bolsonaro, o quanto esse risco diminui? Nossa vizinhança está muito instável em um contexto global ainda mais instável. O grande ponto será reposicionar o Brasil de um jeito que o país não seja vítima dessa instabilidade. Vai ter que jogar defensivamente. Defender o país do caos."
O termômetro máximo das relações no Cone Sul será a eleição presidencial na Argentina em outubro de 2027. O presidente Javier Milei (La Libertad Avanza) busca a reeleição liderando as primeiras pesquisas com 44% das intenções de voto, contra 39% de Axel Kicillof, governador da Província de Buenos Aires e quadro do peronismo.
As relações diplomáticas entre Brasília e a Casa Rosada deterioraram-se após Milei atacar Alexandre de Moraes e chamar Lula de "ladrão" em cadeia de TV no meio do ano, enquanto o presidente brasileiro despertou a ira de Buenos Aires em setembro de 2025 ao visitar a ex-presidente Cristina Kirchner durante cumprimento de sua prisão domiciliar.

Entretanto, Sá Guimarães aponta um cálculo contraintuitivo: nos bastidores, Milei torceria pela vitória de Lula:
"Milei poderia perder a relação privilegiada que tem com Trump, porque, para os EUA, o Brasil é muito mais importante do que a Argentina. Essa é uma hipótese: a de que Milei e Flávio sequer se gostam e fazem tudo isso só porque estão no mesmo campo político. Logo, eu acho que o que Milei quer mesmo é que o Lula ganhe. É estratégico para ele."
Para Otaviano Canuto, o desfecho argentino ditará o futuro do Mercosul:
"Se Milei vencer, o Mercosul virará um bloco mais frouxo. Joga contra a estratégia do Brasil de utilizá-lo como uma plataforma para negociar acordos, como foi com a União Europeia. Se a oposição peronista ganhar, eu espero uma aproximação com Brasília independentemente de quem estiver no cargo aqui. O importante é que essa Argentina de 2027 funcionará como termômetro duplo da posição brasileira no cenário global, porque ou esse eixo de alinhamento a Trump se consolida como um padrão no Cone Sul ou o Mercosul se fortalece como um instrumento de negociação coletiva."
Dilemas Europeus e a Ascensão das Direitas Radicais
Na Europa, a diplomacia brasileira lidará com um cenário de desfragmentação institucional. Na França, as eleições de abril e maio de 2027 marcam a saída de Emmanuel Macron, hoje apontado como o principal interlocutor de Lula no continente europeu. As pesquisas francesas apontam favoritismo expressivo de Marine Le Pen (Rassemblement National), que soma ampla vantagem sobre candidaturas de centro como Édouard Philippe (18%) e Gabriel Attal (13%).
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez (PSOE) enfrenta disputa acirrada contra a centro-direita do Partido Popular Europeu (EPP) e o crescimento do Vox; na Itália, Giorgia Meloni lida com cisões provocadas pelo general Roberto Vannacci, cujo partido radical Futuro Nazionale já alcança 8% das intenções.
O diagnóstico de Kai Enno Lehmann aponta para um vazio diplomático:
"A verdade é que ninguém sabe quais serão os rumos da Europa. Nem eu, que estudo isso há anos, ainda que sabemos que haverá um aprofundamento da fragmentação do continente. Vai ser ruim para o Brasil, que não vai saber com quem se relacionar na União Europeia. Quem seria um interlocutor confiável? E quem pode dizer que não haverá outra guerra na Europa em breve? É um dilema para qualquer um que vencer a eleição aqui."
O especialista salienta ainda que as direitas radicais europeias não compõem um bloco uniforme:
"Ela não é um bloco homogêneo. Em alguns sentidos, tem divergências sérias, sobretudo no quesito política externa. Eu não sei até que ponto o Flávio sabe disso."
Otaviano Canuto avalia que a virada à direita no Velho Continente enfraquecerá a capacidade brasileira de buscar alternativas ao duopólio China-EUA:
"Se a Meloni se mantiver na Itália e a Alemanha e a França seguirem suas guinadas à direita, a Europa ficará mais fragmentada internamente e menos disposta a exercer algum tipo de protagonismo bilateral. Vai enfraquecer a posição de Brasília na polaridade entre EUA e China."
O ciclo de incertezas se fecha na Alemanha, que renovará o parlamento (Bundestag) em 2029, impulsionada pelo marco histórico recente no qual o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou maioria de 43% na Saxônia-Anhalt — o primeiro triunfo eleitoral robusto da direita radical alemã desde a Segunda Guerra Mundial —, sinalizando uma reconfiguração completa das alianças globais do Brasil pelos próximos quatro anos.
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