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Interlocutores de Flávio Procuram Gilmar Mendes para Desarmar Conflito com STF e Discutem Caso Master e Comando do Senado

Emissários do presidenciável do PL sinalizam a decano que não querem guerra com o Judiciário; negociações de bastidores envolvem freio a impeachments de ministros, sucessão parlamentar e indicação de Rodrigo Pacheco à Corte.

VT

Por Da Redação

11/10/2026 às 16:06

Interlocutores de Flávio Procuram Gilmar Mendes para Desarmar Conflito com STF e Discutem Caso Master e Comando do Senado
Foto: Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República — Foto: REUTERS/Adriano Machado

Interlocutores do senador e candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deram início a uma intensa movimentação de bastidores para construir canais diretos de diálogo com o Supremo Tribunal Federal (STF). O principal interlocutor das tratativas tem sido o ministro decano da Corte, Gilmar Mendes. O objetivo central é desenhar os termos de convivência institucional entre um eventual governo liberal e a Suprema Corte a partir de 2027, desarmando as ameaças de confronto permanente.

Nas reuniões reservadas, os emissários de Flávio transmitiram o recado categórico de que não há interesse em abrir uma trincheira de guerra contra o Poder Judiciário. A postura contrasta abertamente com o discurso de palanque das bases bolsonaristas e dos senadores eleitos pela legenda, cuja principal bandeira eleitoral foi o impeachment de ministros do STF. Os aliados do candidato sustentam que não desejam "briga nem confusão com o Judiciário", embora admitam que será necessário administrar a forte pressão da renovada bancada da Casa Alta a partir do ano que vem.

A tentativa de distensão encontra eco favorável em diferentes alas do próprio Supremo, a começar pelo ministro Alexandre de Moraes. Integrantes da Corte avaliam que há temas de convergência prática entre setores do Judiciário e um eventual mandato de Flávio, abrindo caminho para uma concertação ampla. Um dos tópicos mais sensíveis colocados sobre a mesa é o inquérito do Banco Master. O avanço de um "acordão" sobre o processo interessaria a ambas as partes, pacificando investigações que envolvem tanto os repasses ao filme Dark Horse, ligado ao senador, quanto as apurações que tangenciam figuras da cúpula do Judiciário.

Cálculos do STF e Alerta Sobre Paralisia

Do lado do Supremo, os magistrados também realizam seus próprios diagnósticos e não enxergam a bancada conservadora eleita para 2027 como um bloco monolítico ou imune a pressões. A avaliação interna é de que boa parte dos novos senadores que foram às urnas com discursos inflamados de enfrentamento não terá fôlego para bancar a ofensiva depois da diplomação. Ministros lembram que diversos parlamentares respondem a inquéritos ou correm risco concreto de se tornarem alvos de denúncias criminais no STF.

Nas palavras de um integrante do Judiciário ouvido em reserva sobre o comportamento da futura legislatura:

"Haverá muito 'tigrão virando tchutchuca' quando esses parlamentares assumirem seus mandatos."

Além disso, magistrados enviaram advertências claras aos interlocutores de Flávio Bolsonaro: uma administração do Executivo que gaste seu capital político em conflagrações diárias contra o Judiciário sofrerá paralisia decisória, comprometendo sua capacidade real de governar e de aprovar pautas econômicas estruturantes no Congresso Nacional.

O Xadrez pela Presidência do Senado

A costura para apaziguar a relação com o STF conecta-se de forma direta com a corrida pela sucessão no comando da mesa diretora do Senado. Três articuladores de peso despontam na disputa: o senador Rogério Marinho (PL-RN), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP).

Marinho, atual coordenador da campanha presidencial de Flávio, é o mais enfático defensor do confronto direto com a Suprema Corte e trabalha ativamente para se consolidar como o nome da bancada. Sua movimentação, contudo, já enfrenta forte resistência silenciosa dentro do próprio PL. Alas da legenda avaliam que o potiguar acumulou força demais e acabou "subindo no salto", gerando desconfiança entre os próprios pares.

Esse grupo prefere viabilizar o nome de Tereza Cristina, apontada como uma liderança de perfil moderado, capaz de transitar com elegância entre as diferentes forças partidárias e manter interlocução serena com o plenário do STF.

Paralelamente, o Centrão tenta articular a permanência ou retorno de Davi Alcolumbre na presidência da Casa. Alcolumbre cultiva uma relação histórica de proximidade com Alexandre de Moraes e mantém pontes estratégicas abertas com todos os gabinetes do tribunal. A possibilidade de um acordo de apoio a Alcolumbre já está em debate com pessoas do círculo íntimo de Flávio. Como cabe exclusivamente ao presidente do Senado aceitar ou engavetar pedidos de impeachment contra ministros, a eleição interna do Parlamento tornou-se a peça-chave de toda a negociação institucional.

A Terceira Variável: A Vaga do STF e a Opção Pacheco

Uma terceira engrenagem estratégica domina as conversas reservadas: o preenchimento da próxima cadeira de ministro no Supremo Tribunal Federal. No cenário de uma derrota de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 25 de outubro, discute-se a possibilidade de o atual presidente encaminhar uma indicação ao Senado ainda no final deste ano, antes de transmitir a faixa presidencial.

Nessa hipótese, o nome mais cotado nos bastidores é o do atual senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), aliado de primeira hora de Davi Alcolumbre e interlocutor frequente de Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Caso Pacheco seja formalmente indicado por Lula e tenha sua sabatina aprovada pelo plenário do Senado ainda em 2026, o equilíbrio interno de forças no STF seria reconfigurado antes mesmo de qualquer movimentação do novo presidente eleito.

Pacheco é compreendido como um ator político perfeitamente alinhado à ala composta por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Com a sua eventual posse, esse grupo passaria a somar uma bancada sólida de cinco ministros organicamente articulados. Esse arranjo terá papel decisivo nas maiorias e nos julgamentos da Corte pelos próximos anos, operando como um poderoso contrapeso a qualquer tentativa de cerco imposta pelo novo governo ou pelo Congresso.

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