Justiça Transfere Engenheiro que Matou Esposa a Facadas de Clínica Privada de R$ 200 Mil para o Adauto Botelho
Daniel Frasson aguardava vaga psiquiátrica em hospital público; acusação contesta tese de insanidade mental após novas imagens revelarem premeditação antes do assassinato de Gleici Keli.
O Poder Judiciário de Mato Grosso determinou a transferência imediata do engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson para o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, unidade pública de saúde mental localizada em Cuiabá. O réu é acusado de assassinar com 21 facadas a esposa, a empresária Gleici Keli Geraldo, e de tentar matar a própria filha do casal, em crime cometido no município de Lucas do Rio Verde.
Até a decisão, Frasson permanecia internado em uma clínica psiquiátrica particular custeada pelo Estado enquanto aguardava a liberação de um leito na rede pública. De acordo com o advogado Rodrigo Pouso Miranda, que atua como assistente da acusação em representação à família da vítima, a estadia temporária do acusado na instituição privada gerou um custo superior a R$ 200 mil aos cofres públicos.
A ordem de remanejamento ocorreu após peticionamento conjunto da acusação e manifestação favorável do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), motivados pela juntada de novos registros em vídeo gravados pelas câmeras internas da residência na madrugada da tragédia.
"Diante dessa repercussão, bem como da manifestação desse assistente à acusação e o parecer ministerial, onde juntamos os vídeos, pedindo nova perícia para trazer a realidade fática. E o Ministério Público também entendeu que é necessária uma análise melhor do vídeo. Ele não está mais na clínica particular, porque a clínica particular era na ausência de vaga lá do Adauto Botelho. Como tem vaga lá, então é lá que ele tem que aguardar por enquanto."
— Rodrigo Pouso Miranda, advogado da família de Gleici Keli.
Disputa em Torno da Inimputabilidade
A defesa de Daniel Frasson sustenta a tese de inimputabilidade penal por incapacidade psíquica, argumentando que o agressor sofre de graves transtornos mentais e não possuía discernimento sobre seus atos no momento do ataque. A saúde mental do engenheiro agrônomo é o ponto central da perícia médica que balizará o processo.
A assistência jurídica da família da vítima, por sua vez, afirma dispor de elementos robustos para derrubar o argumento defensivo. Gravações do circuito interno de monitoramento divulgadas no mês passado registram a movimentação prévia de Daniel durante a madrugada: o agrônomo é flagrado pegando uma faca, escondendo o objeto pontiagudo para evitar o ângulo da câmera e espiando com insistência o quarto onde Gleici dormia ao lado da filha, na época com sete anos.
Para o assistente de acusação, a conduta revela premeditação e plena consciência da conduta criminosa:
"Por enquanto que ele está alegando uma inimputabilidade, do qual vamos provar que ele não é inimputável, então ele vai estar lá, agora, no Adauto Botelho."
Relembre o Crime
O feminicídio ocorreu na manhã de 24 de junho de 2025, na residência do casal em Lucas do Rio Verde. Gleici Keli Geraldo foi atacada de forma repentina e assassinada com 21 golpes de arma branca. A filha do casal, então com sete anos, também foi ferida a facadas enquanto dormia no mesmo quarto, mas foi socorrida e sobreviveu ao atentado.
Com a transferência para o Adauto Botelho, Daniel Bennemann Frasson passará por novos exames clínicos e perícias oficiais para determinar sua aptidão mental para ser submetido ao Tribunal do Júri popular.
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