Pela primeira vez com 48 seleções, torneio tripartido abre os jogos sob o impacto de revistas rigorosas nos EUA e contrastes com a festa no México.
A bola rola oficialmente a partir desta quinta-feira (11) para a maior e mais politizada edição da história da Copa do Mundo. Sediado de forma conjunta por Estados Unidos, México e Canadá, o torneio de 2026 estreia um formato inédito com a participação ampliada de 48 seleções. No entanto, o clima de celebração esportiva divide os holofotes com o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e as rígidas barreiras migratórias impostas pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump.
O início do mundial expõe um forte contraste na recepção das delegações e torcedores entre os países organizadores. Enquanto o México adota um clima festivo, com música e dança para dar as boas-vindas a times como a Espanha no Estádio Azteca, os Estados Unidos têm aplicado à risca sua endurecida cartilha migratória. Seleções como Senegal e Bélgica foram submetidas a revistas rigorosas e detectores de metal logo no desembarque em solo americano, provocando reações de entidades internacionais e apelos à Fifa por parte da Organização das Nações Unidas (ONU).
A interferência da política de Washington na dinâmica do futebol já redesenhou o planejamento de várias equipes. O governo Trump expandiu os decretos de restrição de viagens para 39 nações e impôs a exigência de depósitos reembolsáveis de até US$ 15 mil para a emissão de vistos a cidadãos de países considerados “de risco”. O caso mais emblemático é o da seleção do Irã: com a cota de ingressos de seus torcedores revogada e vistos restritos que proíbem o pernoite dos atletas em solo norte-americano, a delegação iraniana foi obrigada a fixar sua base em Tijuana, no México, precisando cruzar a fronteira a cada partida realizada nos EUA.
Apesar dos atritos e do uso do torneio como ferramenta de pressão política e ideológica, a promessa dentro de campo é de um espetáculo grandioso com o novo sistema de grupos e mais confrontos eliminatórios. Enquanto o comitê organizador e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tentam equilibrar a diplomacia com os interesses financeiros bilionários do evento, os olhos do planeta se voltam para os gramados da América do Norte, onde o esporte tenta prevalecer sobre as fronteiras e as divisões globais.




