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Pai, filho e outras 3 pessoas são resgatadas de trabalho escravo em empresa de reciclagem

Vítimas enfrentavam jornadas exaustivas, sofriam choques elétricos em máquinas antigas e se alimentavam de restos de feira em Rondonópolis.

Uma operação realizada por auditores-fiscais do Trabalho na última segunda-feira (22) resultou no resgate de cinco trabalhadores — incluindo um pai e seu filho — que eram submetidos a condições análogas à escravidão em uma empresa de reciclagem em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá. A fiscalização foi deflagrada após o plantão fiscal da Gerência Regional do Trabalho receber denúncias sobre as graves violações de direitos que ocorriam no local.

No estabelecimento, os agentes constataram que o grupo enfrentava jornadas exaustivas de trabalho, que se estendiam das 5h30 até depois das 22h. Além da carga horária abusiva, os trabalhadores operavam maquinários antigos e completamente desprovidos de dispositivos de proteção individual ou coletiva, o que resultava em choques elétricos frequentes e iminente risco de acidentes graves.

A degradação também se estendia às condições de sobrevivência e habitação fornecidas pela empresa. As vítimas bebiam água armazenada de forma improvisada em garrafas PET e precisavam recorrer a sobras de alimentos descartados em feiras livres para conseguir se alimentar. O alojamento disponibilizado apresentava graves problemas de infraestrutura, com pouca ventilação e banheiros compartilhados em condições precárias.

Este flagrante ocorre cerca de um mês após outra ação de resgate em Rondonópolis, onde uma trabalhadora doméstica foi encontrada em situação de servidão por dívida após passar 11 meses sem receber salários. Embora os dois casos envolvam empregadores de nichos distintos, os episódios acendem um alerta e reforçam um cenário crítico no estado: Mato Grosso fechou o ano de 2025 liderando o ranking nacional em número de trabalhadores resgatados em condições análogas à de escravo.

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