Solicitação ao Escritório de Comércio Americano
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou um ofício ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) pedindo o adiamento de novas tarifas contra exportações brasileiras. Ele solicita a suspensão da taxa de 25% por 180 dias. O objetivo do parlamentar é empurrar a aplicação da medida para depois das eleições presidenciais no Brasil.
No documento de 86 páginas, o pré-candidato à Presidência argumenta que o tarifaço anterior não surtiu os efeitos esperados. Flávio avalia que as retaliações econômicas do governo de Donald Trump fortalecem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pleno ano eleitoral. Segundo o senador, Lula tem utilizado o embate para criar uma narrativa de defesa da soberania nacional.
Flávio destaca que pesquisas de opinião pública mostram um crescimento do atual governo justamente nos períodos de maior pressão tarifária americana. Ele argumenta que as novas taxas recompensariam a estratégia do governo brasileiro de provocar retaliações e convertê-las em vitórias políticas internas.
Histórico Recente e Resposta Oficial do Brasil
A postura de Flávio diverge da reação de seu irmão no ano passado. Em julho de 2025, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente a Trump quando os Estados Unidos estabeleceram uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros. Na ocasião, o presidente Lula reagiu duramente, chamando os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de “traidores da pátria” e os acusando de articular contra o país no exterior.
As novas taxas americanas podem entrar em vigor ainda neste mês. A ação resulta de uma investigação baseada na “Seção 301” da Lei de Comércio de 1974. Essa legislação permite punições quando os EUA consideram práticas estrangeiras injustas. O processo em questão avalia políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital (incluindo o PIX), tarifas estruturais, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.
O governo Lula enviou uma resposta formal aos Estados Unidos nesta quarta-feira (1º). O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, assinou o documento afirmando que o USTR não comprovou atos discriminatórios ou barreiras comerciais por parte do Brasil. O governo também mantém um grupo de trabalho ativo com políticos e diplomatas, que realizou sua quarta rodada de negociações com os americanos nesta quinta-feira (2).
Alternativas Propostas pelo Senador
Flávio defende que o prazo de suspensão de 180 dias pode ser prorrogado por mais 90 dias caso ocorram avanços nas negociações. Ele sugere o retorno automático das sanções se o governo brasileiro não negociar de boa-fé. O senador também apresentou argumentos adicionais para evitar as taxas gerais:
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Impacto na economia americana: Flávio ressalta que os Estados Unidos possuem superávit comercial com o Brasil. Ele lembra que empresas americanas são grandes investidoras no país e que a retaliação prejudicaria exportadores e consumidores dos próprios EUA.
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Sanções individuais: O parlamentar sugere ferramentas mais direcionadas em vez de punições econômicas amplas. Ele recomenda o uso da Lei Magnitsky para aplicar sanções financeiras e restrições de visto contra autoridades específicas. Isso evitaria penalizar todo o setor produtivo nacional.
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Medida ineficaz: O senador reconhece as preocupações legítimas dos Estados Unidos, mas classifica o uso de tarifas “cegas” como um remédio inadequado para resolver os atritos comerciais bilaterais.




