Relatório da Operação Sem Desconto indica encontro para tratar de nomeação na autarquia, enquanto parlamentar aponta “confusão de informações”
A Polícia Federal (PF) indicou em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) se reuniu em 2023 com Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer) e investigado por um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias. Segundo as investigações, o encontro teria como objetivo discutir a nomeação do comando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O senador nega veementemente qualquer envolvimento no episódio ou intermediação de interesses da associação no órgão público.
Os Detalhes da Investigação da PF
A acusação consta no relatório final da primeira etapa da Operação Sem Desconto, entregue ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
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O Esquema: A investigação mira descontos mensais indevidos aplicados nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas em favor de associações sem a autorização dos beneficiários. O prejuízo estimado aos cofres públicos e aposentados é de cerca de R$ 6 bilhões.
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O Encontro Suspeito: Mensagens e dados analisados pela PF apontam que Carlos Lopes teria se reunido com Pacheco para articular o controle político de cargos diretivos da autarquia. Logo após o período citado, Glauco André Fonseca Wamburg assumiu a presidência do INSS (fevereiro de 2023), sendo posteriormente substituído por Alessandro Stefanutto.
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Indiciamentos: Carlos Lopes, que está foragido desde o ano passado, foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Junto a ele, outras 47 pessoas foram indiciadas neste relatório, incluindo o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e ex-diretores da autarquia.
O Posicionamento de Rodrigo Pacheco
Em nota oficial enviada à imprensa, o parlamentar refutou as conclusões do relatório policial e apontou um erro de interpretação nas mensagens interceptadas pelos investigadores:
“Parece se estar diante de uma confusão de informações que misturou a notícia da minha eleição para presidente do Senado, um fato nacional mencionado por um cidadão de Minas Gerais, com outros assuntos que não me dizem respeito. A referência a ir se ‘encontrar com eles’ por certo não me inclui.”
A defesa dos demais investigados declarou que aguarda acesso integral aos autos para se manifestar ou nega as acusações de recebimento de valores ilícitos. O relatório da PF segue agora para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se oferece denúncia formal contra os indiciados.




