Investigadores da Polícia Civil de Mato Grosso descobriram que integrantes de um grupo criminoso investigado por fraudes fiscais no setor de grãos utilizavam celulares ocultos e canais de comunicação protegidos como estratégia para “blindar” a troca de informações e dificultar a atuação da fiscalização. A descoberta representa um novo avanço nas apurações e ajuda a explicar parte da logística utilizada pelo esquema criminoso.
Uso de dispositivos e canais ocultos
A investigação identificou que os suspeitos mantinham uma rede de aparelhos celulares e aplicativos específicos que não eram registrados em nome dos próprios membros, nem estavam vinculados diretamente às empresas investigadas. A tática consistia em utilizar números “fantasmas” e canais de comunicação privados para evitar interceptações e dificultar a identificação dos interlocutores pelas autoridades.
Esses dispositivos eram, em muitos casos, ativados com chips pré-pago, associados a dados cadastrais de terceiros ou de difícil rastreamento, o que supostamente oferecia uma camada extra de proteção aos criminosos e dificultava o cruzamento de informações tradicionais que normalmente auxiliam investigações policiais.
Blindagem e tentativa de ocultação de provas
O uso de celulares ocultos fazia parte de um conjunto de estratégias que visavam reduzir evidências diretas da coordenação das fraudes fiscais. A comunicação entre os membros do grupo criminoso — incluindo o planejamento de operações, a troca de informações logísticas e a supervisão de atividades — era mantida longe de canais convencionais, gerando dificuldades adicionais para os investigadores.
A identificação dessa tática permitiu que a equipe policial ajustasse suas diligências, identificasse pontos de conexão entre os celulares ocultos e os suspeitos e descobrisse padrões de interação que contribuem para a compreensão do esquema e para a responsabilização penal dos envolvidos.
Avanços nas investigações
Com a descoberta e a análise dos dispositivos e comunicações ocultas, os investigadores foram capazes de reforçar o conjunto probatório que indica a participação dos suspeitos nas fraudes fiscais, ajudando a estabelecer vínculos, monitorar fluxos de informações e complementar outras provas obtidas por meio de ordens judiciais.
O avanço indica que as fraudes não se limitavam apenas à manipulação documental ou estrutural no setor de grãos, mas também incluíam medidas sofisticadas de blindagem operacional que buscavam reduzir a exposição dos líderes e operadores do esquema.
Impacto na responsabilização criminal
As evidências coletadas a partir dos aparelhos celulares ocultos podem ser usadas para fortalecer os pedidos de prisão, buscas, quebras de sigilo e outras medidas cautelares que a investigação requer, ajudando a Polícia Civil a construir um caso mais sólido para a responsabilização dos envolvidos em fraudes fiscais e práticas associadas.








