Primeiro-ministro de Israel afirma que medida visa neutralizar mísseis do Hezbollah; ofensiva terrestre entra em nova fase e agrava crise humanitária na região.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou neste domingo (29) a expansão da invasão militar e o alargamento da chamada “zona-tampão” no sul do Líbano. Em pronunciamento oficial, o líder israelense justificou a medida como uma necessidade estratégica para garantir a segurança na fronteira norte de Israel, buscando eliminar a ameaça de mísseis antitanque e outras armas de curto alcance operadas pelo Hezbollah. Segundo Netanyahu, a criação de uma linha de defesa avançada mais profunda em território libanês é um passo decisivo para a neutralização das capacidades militares do grupo.
A ofensiva terrestre, que teve início em 3 de março, entra agora em uma etapa mais arriscada com a incursão de novas unidades das Forças de Defesa de Israel (FDI). Veículos blindados e tropas ocupam áreas estratégicas, enquanto bombardeios atingem posições logísticas e centros de comando. O governo israelense emitiu novos alertas de evacuação para residentes de cidades no sul, como Tiro, reforçando a intenção de manter o controle sobre um corredor que pode variar de 20 a 30 quilômetros além da fronteira oficial entre os dois países.
A expansão do conflito tem gerado consequências severas para a população civil. De acordo com dados do Ministério da Saúde do Líbano, o número de mortos em todo o país, incluindo a capital Beirute, já ultrapassa 1.200, com mais de 3.500 feridos. A crise humanitária é acentuada pelo deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas, o que representa quase 20% da população libanesa. A ONU monitora a situação nos abrigos coletivos, enquanto milhares de refugiados tentam deixar as zonas de combate em direção ao norte ou a países vizinhos.
O Hezbollah, por sua vez, afirma estar pronto para uma “guerra aberta” e mantém os disparos de mísseis contra o território israelense e as Colinas de Golã. O governo libanês, que declarou as atividades militares do grupo como ilegais no início do mês, enfrenta dificuldades para conter a escalada de violência em seu território soberano. A comunidade internacional observa com apreensão a manobra de Israel, que ocorre simultaneamente às tensões crescentes com o Irã e às discussões diplomáticas que buscam, sem sucesso até o momento, estabelecer um cessar-fogo na região.




