Uma força-tarefa composta pela Polícia Federal (PF) e pelo Ibama deflagrou, nesta terça-feira (24 de março), uma ofensiva de grande impacto contra a mineração ilegal em Mato Grosso. A operação resultou na destruição de diversas balsas de sucção, dragas e maquinários pesados utilizados para a extração ilícita de ouro em áreas de preservação permanente. O prejuízo direto causado aos financiadores do garimpo ilegal é estimado em R$ 3,5 milhões. A inutilização dos equipamentos ocorreu no próprio local da apreensão, seguindo o protocolo previsto na legislação ambiental para casos em que a remoção do maquinário é logisticamente inviável ou oferece riscos às equipes.
As investigações apontam que o grupo operava sem qualquer tipo de licenciamento ambiental ou outorga de lavra garimpeira, utilizando mercúrio de forma indiscriminada, o que provocou a contaminação de leitos de rios e a degradação severa das margens. A PF destaca que o garimpo ilegal na região Norte do estado tem atraído organizações criminosas que utilizam a extração de minérios para a lavagem de dinheiro e o financiamento de outras atividades ilícitas. Durante a incursão, os agentes também identificaram acampamentos improvisados que serviam de base logística para os garimpeiros.
Impacto Ambiental e Monitoramento
A destruição do maquinário é considerada a ferramenta mais eficaz para paralisar a atividade criminosa imediatamente, pois descapitaliza os infratores e impede o retorno rápido ao local de exploração. O Ibama ressaltou que a operação foi planejada com base em imagens de satélite de alta resolução, que detectaram a alteração na coloração das águas e o desmatamento recente na vegetação ciliar. O uso de drones também foi fundamental para mapear a localização exata das balsas escondidas em braços de rios de difícil acesso.
Os responsáveis identificados pela logística e financiamento do garimpo responderão por crimes ambientais, usurpação de bens da União e extração de recursos minerais sem autorização. A Polícia Federal informou que as investigações continuam para rastrear a cadeia de compradores do ouro ilegal, visando identificar joalherias e empresas de fachada que facilitam a entrada do metal no mercado formal. A fiscalização em Mato Grosso será intensificada nos próximos meses, com o objetivo de proteger as bacias hidrográficas e garantir a integridade das reservas ambientais do estado.




