Tenente-coronel teria apagado mensagens após disparo que vitimou a soldado da PM em São Paulo
Novos desdobramentos da investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana trazem detalhes alarmantes sobre a conduta do seu companheiro, o tenente-coronel Geraldo Neto. Segundo perícias realizadas pela Polícia Civil de São Paulo e divulgadas nesta sexta-feira (27 de março de 2026), o telemóvel da vítima foi desbloqueado e teve mensagens apagadas momentos após ela ter sido atingida por um tiro na cabeça.
O crime ocorreu no apartamento do casal, no centro de São Paulo, no dia 18 de março. O oficial foi preso sob suspeita de feminicídio. A defesa do tenente-coronel alegava inicialmente uma situação de suicídio ou acidente, mas as provas técnicas contradizem essa versão, apontando para uma tentativa ativa de ocultação de provas e manipulação da cena do crime.
Pontos Centrais da Perícia Técnica
A investigação utilizou tecnologia avançada de recuperação de dados para reconstruir os eventos digitais daquela noite:
-
Desbloqueio Pós-Morte: Os registos do aparelho indicam que o telemóvel de Gisele foi acedido após o horário estimado do disparo. Como o acesso dependia de biometria ou senha pessoal, a polícia acredita que o oficial utilizou a digital da vítima já inconsciente ou sem vida.
-
Mensagens Apagadas: Foram detetadas exclusões de conversas entre o casal no telemóvel do tenente-coronel. No entanto, os peritos conseguiram recuperar o conteúdo através do aparelho da soldado, revelando um histórico recente de brigas, ameaças e comportamento controlador por parte do oficial.
-
Testemunhos de Agressão: Colegas de farda relataram que Geraldo Neto já havia demonstrado comportamento agressivo contra Gisele dentro do quartel, chegando a pressioná-la contra a parede em ocasiões anteriores.
Próximos Passos Judiciais
Com a quebra do sigilo telemático e os resultados da perícia de balística, o Ministério Público deve reforçar a denúncia por feminicídio qualificado. A investigação agora foca-se em determinar se houve a participação de terceiros na tentativa de limpar a cena do crime ou se o oficial agiu inteiramente sozinho antes da chegada do socorro e das autoridades.
O caso tem gerado grande repercussão dentro da Polícia Militar de São Paulo, levantando debates sobre a rede de proteção a mulheres dentro das forças de segurança e o rigor na investigação de crimes cometidos por oficiais de alta patente.




