Ataques Racistas e Misóginos em Grupos da UFMT Provocam Denúncia à Polícia e Apuração Disciplinar
Estudantes de Economia do campus de Cuiabá compartilharam imagens criminosas, ofensas a negros e ataques a mulheres no WhatsApp; Polícia Civil e reitoria investigam o caso.
Foto: Alunos da UFMT são denunciados por mensagem racista e misógina
Estudantes do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Cuiabá, foram formalmente denunciados após o envio de mensagens, áudios e imagens de cunho racista e misógino em grupos de WhatsApp integrados por universitários da graduação. As publicações criminosas ocorreram no último fim de semana, entre os dias 3 e 4 de outubro, e motivaram o registro de um boletim de ocorrência por racismo e injúria racial na Polícia Civil de Mato Grosso.
Conforme o relato registrado na delegacia por um universitário de 31 anos, as agressões virtuais partiram de colegas de turma matriculados no mesmo curso. A ocorrência foi remetida para a 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá (Repressão aos Crimes de Menor Potencial Ofensivo), que ficará encarregada das investigações criminais e dos depoimentos das testemunhas e suspeitos.
De acordo com o Centro Acadêmico de Economia, as primeiras manifestações de teor preconceituoso surgiram na noite de sábado (3). Após a identificação das ofensas, os supostos autores foram excluídos do canal e as conversas foram limitadas exclusivamente aos administradores. Contudo, durante a madrugada de domingo (4), novos ataques de teor discriminatório migraram para outro grupo virtual, administrado pela Atlética Monopólio.
Ofensas Aberrantes e Imagens Discriminatórias
Em nota pública de repúdio, a representação estudantil detalhou os conteúdos divulgados nos aplicativos de mensagens, que incluíram montagens gráficas e ofensas diretas contra a dignidade humana:
Comparação Abjeta: Foi compartilhada uma montagem visual que exibe uma mulher negra realizando um exame de ultrassonografia, na qual a representação do feto foi substituída pela imagem de um macaco;
Hostilidade Racial: Em reação à moderação e exclusão de integrantes do primeiro fórum, um dos alunos publicou a frase: "Por causa de vc os preto lá ta achando q tem direito agora";
Agressões Misóginas: Áudios atribuídos a discentes circularam com ataques violentos direcionados às mulheres: "Por isso tem que ser contra as muié mesmo... eu sou a favor da minha mulher e da minha filha, o resto das mulher tem que se fud mesmo".
O Centro Acadêmico rechaçou qualquer tentativa de justificar os atos sob o pretexto de liberdade de pensamento:
"Tais manifestações não constituem mero debate político ou opinião. São expressões de racismo, misoginia e violência que atingem diretamente a dignidade de mulheres e da população negra. Repudiamos veementemente qualquer tentativa de naturalizar ou relativizar esse tipo de comportamento."
— Trecho da nota emitida pelo Centro Acadêmico de Economia da UFMT.
UFMT Abre Processo Administrativo Disciplinar
Acionada pelas lideranças estudantis, a Reitoria da UFMT confirmou que a demanda foi recebida pela Ouvidoria-Geral da instituição nesta segunda-feira (5) e imediatamente encaminhada para o setor competente para a instauração de procedimento administrativo disciplinar.
A apuração institucional seguirá os parâmetros do Regimento Disciplinar do Corpo Discente da universidade, que prevê penalidades que vão de advertência à suspensão e expulsão dos quadros acadêmicos. Em virtude do sigilo obrigatório aplicado aos processos correcionais internos, a universidade ressaltou que a identidade dos alunos envolvidos e os autos do procedimento permanecerão sob sigilo até a conclusão dos trabalhos.
Conforme o relato registrado na delegacia por um universitário de 31 anos, as agressões virtuais partiram de colegas de turma matriculados no mesmo curso. A ocorrência foi remetida para a 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá (Repressão aos Crimes de Menor Potencial Ofensivo), que ficará encarregada das investigações criminais e dos depoimentos das testemunhas e suspeitos.
De acordo com o Centro Acadêmico de Economia, as primeiras manifestações de teor preconceituoso surgiram na noite de sábado (3). Após a identificação das ofensas, os supostos autores foram excluídos do canal e as conversas foram limitadas exclusivamente aos administradores. Contudo, durante a madrugada de domingo (4), novos ataques de teor discriminatório migraram para outro grupo virtual, administrado pela Atlética Monopólio.
Ofensas Aberrantes e Imagens Discriminatórias
Em nota pública de repúdio, a representação estudantil detalhou os conteúdos divulgados nos aplicativos de mensagens, que incluíram montagens gráficas e ofensas diretas contra a dignidade humana:
Comparação Abjeta: Foi compartilhada uma montagem visual que exibe uma mulher negra realizando um exame de ultrassonografia, na qual a representação do feto foi substituída pela imagem de um macaco;
Hostilidade Racial: Em reação à moderação e exclusão de integrantes do primeiro fórum, um dos alunos publicou a frase: "Por causa de vc os preto lá ta achando q tem direito agora";
Agressões Misóginas: Áudios atribuídos a discentes circularam com ataques violentos direcionados às mulheres: "Por isso tem que ser contra as muié mesmo... eu sou a favor da minha mulher e da minha filha, o resto das mulher tem que se fud mesmo".
O Centro Acadêmico rechaçou qualquer tentativa de justificar os atos sob o pretexto de liberdade de pensamento:
"Tais manifestações não constituem mero debate político ou opinião. São expressões de racismo, misoginia e violência que atingem diretamente a dignidade de mulheres e da população negra. Repudiamos veementemente qualquer tentativa de naturalizar ou relativizar esse tipo de comportamento."
— Trecho da nota emitida pelo Centro Acadêmico de Economia da UFMT.
UFMT Abre Processo Administrativo Disciplinar
Acionada pelas lideranças estudantis, a Reitoria da UFMT confirmou que a demanda foi recebida pela Ouvidoria-Geral da instituição nesta segunda-feira (5) e imediatamente encaminhada para o setor competente para a instauração de procedimento administrativo disciplinar.
A apuração institucional seguirá os parâmetros do Regimento Disciplinar do Corpo Discente da universidade, que prevê penalidades que vão de advertência à suspensão e expulsão dos quadros acadêmicos. Em virtude do sigilo obrigatório aplicado aos processos correcionais internos, a universidade ressaltou que a identidade dos alunos envolvidos e os autos do procedimento permanecerão sob sigilo até a conclusão dos trabalhos.
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