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Da gaveta ao mercado: a tecnologia pode mudar a vida do compositor brasileiro

Em um país onde a música cresce como indústria, milhares de composições ainda dependem de contatos, indicações e sorte para chegar a um intérprete. Em busca de novas tecnologias para o setor, encontrei uma plataforma brasileira que tenta mudar essa lógica.

VT

Por Paulo da Silva gomes

20/10/2026 às 21:20

Foto: Paulo Silva

O Brasil nunca deixou de produzir música boa.

Talvez o que tenha mudado seja a velocidade com que ela circula.

Hoje, uma canção pode ser escrita pela manhã, gravada em um celular à tarde e estar nas redes sociais antes do fim do dia. Inteligência artificial, plataformas digitais, streaming, gravação doméstica e novas formas de distribuição derrubaram barreiras que, há alguns anos, exigiam estúdio, gravadora, empresário e uma cadeia muito mais cara para colocar uma obra diante do público.

Os números mostram que não estamos falando de um mercado pequeno.

Em 2025, o mercado brasileiro de música gravada cresceu 14,1%, levando o país à posição de oitavo maior mercado de música gravada do mundo. Na América Latina, o streaming já representa 88,1% das receitas de música gravada.

Quando olhamos para os direitos autorais, o tamanho dessa economia também aparece. Em 2024, o Ecad arrecadou aproximadamente R$ 1,8 bilhão e distribuiu cerca de R$ 1,5 bilhão a mais de 345 mil titulares. O repertório nacional respondeu por 62% da distribuição.

A música brasileira está crescendo.

Mas existe uma parte dessa história que os números não conseguem contar completamente.

É a história da música que ainda não chegou a ninguém.

A composição que continua na gaveta

Quem vive ou já viveu o mercado musical conhece essa realidade.

Existem compositores com dezenas, centenas e, em alguns casos, milhares de músicas.

Algumas estão registradas.

Outras estão em guias.

Muitas estão num celular, num computador, num HD antigo ou num caderno.

O problema nem sempre é produzir.

O problema é fazer a composição chegar até quem pode gravá-la.

Historicamente, esse mercado depende muito de relacionamento.

O compositor precisa conhecer um cantor, um empresário, um produtor, um músico da banda, alguém do escritório ou alguém que conheça alguém.

É um mercado em que talento importa, evidentemente.

Mas acesso também importa muito.

A própria UBC já chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pela música independente, entre elas baixa remuneração, dificuldades de planejamento e obstáculos para transformar criação em uma atividade economicamente sustentável.

Foi justamente pesquisando novas ferramentas e tecnologias capazes de aproximar essas pontas que encontrei uma plataforma brasileira chamada Minha Canção.

E o que chamou minha atenção não foi uma ferramenta isolada.

Foi a tentativa de construir um ecossistema.

Paulo Silva

https://xn--minhacano-s2a7b.com.br/convite/paulo-silva

Um Marketplace para músicas

A primeira ideia é relativamente simples de compreender.

O compositor cadastra uma composição e coloca sua música diante de pessoas interessadas em repertório.

No Marketplace do Minha Canção, já é possível encontrar músicas cadastradas com informações sobre compositor, gênero e valor de licença de gravação. A própria página inicial apresenta a proposta de compor, comprar e vender músicas dentro do mesmo ambiente.

O compositor pode definir valores para uma licença de gravação e também para uma negociação de exclusividade.

Do outro lado está o cantor.

Em vez de esperar uma música chegar pelo WhatsApp ou depender exclusivamente de produtores e contatos, o artista pode procurar repertório.

Pode ouvir.

Pode comparar.

Pode encontrar um gênero específico.

Pode conhecer compositores que talvez jamais cruzassem seu caminho.

E, de acordo com a estrutura oferecida pela plataforma, a negociação pode inclusive oferecer formas de pagamento que facilitem a aquisição da música.

Isso muda uma lógica antiga.

O compositor deixa de depender somente da procura.

Sua composição passa a estar disponível em uma vitrine.

Paulo Silva

Programa de Afiliados: é possível participar do mercado musical sem cantar, tocar ou compor

Talvez uma das ideias mais interessantes do Minha Canção esteja justamente fora do palco.

Para participar do Programa de Afiliados, você não precisa ser compositor, cantor, músico, produtor ou trabalhar profissionalmente com música.

Pode ser simplesmente alguém que conhece compositores, artistas e pessoas interessadas nesse mercado.

Na prática, é possível estar em casa, pelo celular ou computador, divulgar o seu link exclusivo e construir uma rede de indicados.

Mas há uma diferença importante: não é o simples envio do link que gera dinheiro. A comissão acontece quando uma pessoa indicada realiza determinadas ações elegíveis dentro da plataforma.

O funcionamento é relativamente simples.

Depois de criar sua conta no Minha Canção, o usuário acessa o Painel de Afiliados. Ali encontra seu link exclusivo de indicação.

É esse endereço que pode ser enviado para amigos, compositores, cantores, músicos, produtores ou qualquer pessoa que queira conhecer a plataforma.

Imagine alguém que participa de vários grupos de compositores no Facebook e WhatsApp.

Ela não precisa escrever uma única música.

Pode acessar seu Painel de Afiliados, copiar o link e apresentar o Minha Canção para essas pessoas.

Quando os indicados começam a utilizar determinados serviços pagos da plataforma, o afiliado passa a participar economicamente dessa movimentação.

Quanto o afiliado pode receber?

Se uma pessoa indicada comprar ou renovar um plano pago, o afiliado recebe 10% do valor.

Se esse indicado for compositor e vender uma música, o afiliado recebe 3% sobre o valor da negociação.

Se o compositor decidir destacar uma música dentro da plataforma, o afiliado recebe 3% sobre o valor do destaque.

E se um usuário indicado realizar uma compra elegível de publicidade ou anúncio dentro da plataforma, também existe comissão de 3%.

Isso cria uma lógica interessante.

O afiliado não precisa necessariamente produzir o produto que está sendo negociado.

Ele participa ajudando novas pessoas a chegarem ao ecossistema.

Um único compositor indicado hoje pode, ao longo do tempo, contratar um plano, colocar músicas à venda, investir em destaque ou utilizar outros serviços da plataforma.

E é justamente essa continuidade que torna o modelo diferente de simplesmente receber uma comissão pela primeira indicação.

E onde aparece esse dinheiro?

Paulo Silva



As comissões geradas pelas ações dos indicados são direcionadas para a carteira do usuário dentro do Minha Canção.

O próprio Painel de Afiliados passa a ser o centro de acompanhamento dessa atividade.

É nele que o usuário encontra seu link exclusivo e acompanha sua participação no programa e as comissões geradas.

Quando houver saldo disponível para retirada, o usuário acessa sua carteira e solicita o saque.

O valor mínimo para saque é de R$ 10.

Ou seja, o processo pode acontecer sem sair de casa:

cria a conta → acessa o Painel de Afiliados → copia o link → compartilha → os indicados utilizam a plataforma → ações elegíveis geram comissão → o valor vai para a carteira → o afiliado solicita o saque.

Uma nova porta de entrada para o mercado da música

Esse talvez seja um dos detalhes mais interessantes da estratégia.

Normalmente, quando pensamos em ganhar dinheiro no mercado musical, imaginamos alguém cantando, compondo, tocando, produzindo ou trabalhando diretamente com artistas.

O Programa de Afiliados cria outra possibilidade.

Alguém pode participar economicamente desse mercado simplesmente sendo uma ponte entre pessoas e oportunidades.

Um professor pode indicar seus alunos.

Um músico pode indicar outros músicos.

Um compositor pode indicar colegas compositores.

Um fã pode apresentar a plataforma para artistas que conhece.

Alguém que administra um grupo de compositores pode divulgar seu link para centenas de pessoas.

E uma pessoa comum, sentada em casa com seu celular, também pode participar.

Isso não significa dinheiro automático nem renda garantida: é necessário indicar pessoas e essas pessoas precisam realizar ações que gerem comissão.

Mas significa que o usuário não precisa ter uma música para vender, um show para oferecer ou um instrumento para tocar.

Ele precisa de uma conta, de seu link e de pessoas interessadas no universo musical.

Em um mercado movido historicamente por indicações, talvez transformar a própria indicação em uma atividade remunerada seja uma das ideias mais interessantes dentro do ecossistema do Minha Canção.


Inteligência artificial entrando no processo de composição

Outro ponto curioso é a presença da Inteligência Artificial.

No plano VIP Master, o Minha Canção disponibiliza um Assistente de Composição com IA. A ferramenta aparece como recurso exclusivo desse plano na própria página oficial de planos.

A ideia não é necessariamente entregar uma música pronta.

Durante a escrita, o compositor pode pedir sugestões para continuar determinado trecho da letra.

É uma ferramenta de apoio.

E esse é um debate que ainda vai ocupar muito espaço no mercado musical.

A IA já está interferindo na composição, produção, marketing, audiovisual e distribuição. Ao mesmo tempo, o setor discute intensamente limites, direitos e remuneração dos criadores diante dessas tecnologias.

Por isso, talvez o uso mais interessante hoje seja justamente como assistente, e não como substituto do compositor.

A caneta ainda é do autor.

A IA pode ser apenas mais uma ferramenta sobre a mesa.

Audições: quando o artista procura a música

Talvez uma das ferramentas mais interessantes seja a de Audições.

Imagine um cantor preparando um novo projeto.

Ele precisa de músicas.

Em vez de procurar dezenas de compositores individualmente, pode criar uma Audição e receber composições dentro da própria plataforma.

As músicas chegam.

O artista escuta.

Seleciona.

Pode trabalhar com finalistas.

E, se uma composição fizer sentido para aquele projeto, começa a negociação com seu autor para licença de gravação ou exclusividade.

Na configuração atualmente publicada pelo Minha Canção, usuários VIP Prata, Ouro e Master podem participar de Audições dentro de limites diferentes, enquanto a criação de uma Audição é exclusiva do VIP Master.

É uma inversão interessante.

Por muitos anos, quase sempre foi o compositor quem bateu à porta do cantor.

Aqui, o cantor também pode abrir a porta e dizer:

“Estou procurando uma música. Quem tem?”

Batalhas: música também pode gerar métrica
Paulo Silva


Outro recurso que merece atenção são as Batalhas.

Duas músicas são colocadas em confronto.

O usuário ouve as canções e escolhe sua preferida.

Pode parecer apenas entretenimento.

Mas existe uma segunda camada.

Métrica.

O compositor passa a observar como determinada composição reage diante de outras.

Quantas disputas venceu?

Como foi a votação?

Ela consegue se manter competitiva?

Nada disso determina se uma música é boa ou ruim.

Arte não funciona dessa forma.

Mas serve como informação.

E essa informação também pode interessar a quem está procurando repertório.

Um cantor que encontra uma composição no Marketplace pode ter acesso a mais do que simplesmente um áudio. Um histórico de desempenho em Batalhas pode funcionar como mais um indicador de reação do público.

No Minha Canção, usuários do plano gratuito podem votar, enquanto a criação de Batalhas começa nos planos pagos, com limites crescentes até chegar à criação ilimitada no VIP Master.

A música passa a ter história dentro da plataforma.

Paulo Silva


O show também é um produto

Mas o ecossistema não termina na composição.

Há outro mercado gigantesco e altamente pulverizado no Brasil: shows.

Casamentos.

Bares.

Restaurantes.

Festas particulares.

Eventos corporativos.

Formaturas.

Feiras.

Rodeios.

Casas de shows.

Eventos públicos.

Todos os dias alguém está procurando um cantor, uma dupla ou uma banda.

E todos os dias algum artista está procurando onde tocar.

Na página inicial do Minha Canção já existem perfis de artistas com informações de cidade, estilo, duração do show, preço inicial e tipos de eventos atendidos.

Isso transforma o perfil do artista em algo mais próximo de uma vitrine comercial.

O usuário pode procurar quem contratar.

O artista pode apresentar seu show.

E a proposta da plataforma é levar a negociação para dentro do próprio ambiente, com mecanismos de pagamento e acompanhamento pensados para reduzir o risco entre as partes.

Esse ponto é especialmente importante.

Uma plataforma musical só começa a se tornar mercado quando não serve apenas para mostrar pessoas.

Ela precisa ajudar negócios a acontecerem.

Freelancers: talvez a banda que falta esteja perto de você

Paulo Silva



Existe ainda outro problema frequente.

Um artista tem show, mas precisa de baixista.

Uma dupla precisa de baterista.

Uma banda perdeu o tecladista para determinada data.

Um produtor precisa de um violonista para uma gravação.

Tradicionalmente, começa a maratona:

“Conhece alguém?”

“Tem algum músico disponível?”

“Manda o contato.”

O Minha Canção inclui uma área de Freelancers, e a própria página inicial oferece busca por músicos e profissionais disponíveis para trabalhos, shows, gravações e turnês.

Isso abre uma possibilidade interessante de mercado regional.

O músico pode cadastrar seu perfil profissional.

O artista pode procurar alguém de sua cidade ou região.

E uma contratação que antes dependeria de grupos de WhatsApp passa a poder começar em uma ferramenta organizada especificamente para música.

Em determinadas situações, é perfeitamente possível imaginar um artista utilizando esse tipo de sistema até para montar parte de uma banda para um evento ou temporada.

Classificados: porque o mercado musical também compra equipamento

E música também movimenta equipamento.

Instrumentos.

Pedais.

Amplificadores.

Microfones.

Interfaces.

Mesas.

Caixas.

Equipamentos de áudio e vídeo.

A proposta dos Classificados é levar também esse tipo de negociação para dentro de uma comunidade que já é formada pelo público interessado nesses produtos.

Faz sentido.

Um violão anunciado em um ambiente frequentado por músicos está diante de pessoas que entendem o que está sendo vendido.

O mesmo vale para câmeras, equipamentos de áudio, acessórios e outros itens ligados à produção musical e audiovisual.

Programa de Afiliados: o próprio usuário ajudando a movimentar o mercado

Há ainda uma peça diferente nessa estrutura.

O Programa de Afiliados.

E aqui existe uma diferença importante: a pessoa não precisa necessariamente ser cantor, compositor ou músico.

Um usuário comum pode indicar outras pessoas.

Recebe um link próprio e, quando seus indicados realizam determinadas ações elegíveis dentro da plataforma, pode gerar comissões.

Na estrutura apresentada pelo Minha Canção, existem comissões relacionadas a planos, venda de músicas, destaque de composições e publicidade.

É uma tentativa de transformar a própria comunidade em mecanismo de expansão do ecossistema.

O professor de música pode indicar alunos.

O músico pode indicar compositores.

O compositor pode indicar cantores.

O fã pode indicar artistas.

E todos passam a ter um motivo econômico para fazer novas pessoas conhecerem a plataforma.

Talvez a grande inovação esteja na soma

Nenhuma dessas ideias, isoladamente, é completamente nova.

Marketplace existe.

Classificados existem.

Sites de músicos existem.

Plataformas de freelancers existem.

Ferramentas de inteligência artificial existem.

Sistemas de afiliados existem.

O ponto que chama atenção é outro.

Colocar tudo isso dentro de um ambiente dedicado à música brasileira.

No Minha Canção, a página institucional apresenta justamente essa ideia de reunir Marketplace, Shows, Freelancers, Audições, Batalhas e outras áreas num mesmo ecossistema digital.

É aí que talvez esteja a aposta mais interessante.

Porque o problema do mercado musical não é simplesmente falta de música.

Também não é falta de cantor.

Não é falta de músico.

Não é falta de contratante.

Não é falta de equipamento.

Em muitos casos, o que falta é conexão entre essas pessoas.

Tem compositor procurando cantor.

Tem cantor procurando música.

Tem músico procurando trabalho.

Tem artista procurando músico.

Tem contratante procurando show.

Tem profissional vendendo serviço.

Tem gente procurando exatamente aquilo que outra pessoa está oferecendo.

Mas eles não necessariamente se encontram.

Tecnologia não cria talento — mas pode abrir portas

Como músico, compositor, produtor audiovisual e alguém que acompanha cada vez mais de perto o desenvolvimento de novas tecnologias, uma coisa me parece clara:

Nenhum sistema vai escrever a história de um artista sozinho.

Nenhum aplicativo transforma automaticamente uma composição em sucesso.

Nenhuma inteligência artificial substitui experiência, sensibilidade, interpretação, repertório e relacionamento humano.

Mas tecnologia pode reduzir distâncias.

Pode organizar mercados.

Pode criar vitrines.

Pode permitir que pessoas se encontrem.

E, principalmente, pode dar uma oportunidade a alguém que antes precisava conhecer “a pessoa certa”.

Talvez seja cedo para dizer até onde o Minha Canção pode chegar.

Como toda plataforma baseada em rede, seu verdadeiro valor dependerá da quantidade e da qualidade dos compositores, artistas, músicos, compradores, contratantes e profissionais que conseguirá reunir.

Mas a ideia é interessante justamente porque olha para a música não apenas como conteúdo.

Olha para ela como trabalho, produto, serviço, oportunidade e negócio.

E num país que já ocupa a oitava posição entre os maiores mercados de música gravada do planeta, talvez esteja na hora de desenvolver também novas maneiras de fazer com que quem cria música participe de forma mais direta dessa economia.

Eu comecei esta pesquisa procurando novas tecnologias para o mercado da composição.

Terminei com uma pergunta:

quantas boas músicas brasileiras ainda estão esperando apenas a oportunidade de chegar à pessoa certa?

Se ferramentas como o Minha Canção conseguirem diminuir essa distância, talvez a próxima transformação do mercado musical brasileiro não esteja apenas no modo como ouvimos música.

Pode estar no modo como compositores, artistas e profissionais finalmente conseguem se encontrar.

Paulo Silva
Músico, compositor, produtor audiovisual, desenvolvedor de sistemas e colunista da VT News.



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