Presidente brasileiro antecipou viagem para participar da cúpula em Évian-les-Bains; foco principal é conter novas barreiras econômicas dos EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na França para participar da Cúpula do G7, que reúne as sete maiores economias do mundo na cidade de Évian-les-Bains. A viagem do chefe do Executivo brasileiro foi antecipada com o objetivo estratégico de ampliar a articulação política e tentar viabilizar uma agenda de diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também confirmou presença no fórum global.
Embora não exista um pedido oficial de reunião bilateral protocolado por nenhuma das duas capitais, integrantes do Palácio do Planalto e diplomatas brasileiros avaliam que o formato da cúpula favorece encontros de bastidores. O governo vê chances reais de uma aproximação informal nos corredores, em almoços de trabalho ou em sessões ampliadas do bloco, nos moldes de diálogos improvisados ocorridos em assembleias anteriores da ONU.
A urgência do governo brasileiro em estabelecer pontes com a Casa Branca deve-se, principalmente, ao cenário de tensões comerciais. Recentemente, uma investigação comercial norte-americana recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros, além de uma sobretaxa adicional de 12,5% sob alegações ligadas ao mercado de trabalho. Lula pretende usar a oportunidade para defender o multilateralismo, questionar as medidas unilaterais e fortalecer o grupo de trabalho bilateral que já discute os impactos tributários.
Paralelamente às discussões com os americanos, o presidente Lula deve adotar um tom crítico em seus discursos oficiais perante os líderes mundiais. O plano da comitiva brasileira inclui cobranças por reformas no sistema financeiro internacional, o combate aos juros elevados globais e a ampliação de recursos voltados ao desenvolvimento sustentável em detrimento de gastos com conflitos armados, utilizando os recentes índices de queda no desmatamento do Brasil como um dos principais trunfos diplomáticos do país.




