Assistente de acusação divulga gravações que indicam premeditação e questiona laudo de insanidade que internou réu em clínica particular com custos públicos superiores a R$ 200 mil.
O advogado Rodrigo Pouso, que atua como assistente de acusação em favor da família da empresária e terapeuta capilar Gleici Keli Geraldo de Souza, divulgou registros em vídeo das câmeras internas de segurança da residência onde a vítima foi assassinada pelo companheiro, o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, em Lucas do Rio Verde (a 333 km de Cuiabá). As gravações registraram discussões preliminares, a movimentação do acusado no momento do feminicídio e sua conduta após esfaquear a esposa e a própria filha, de sete anos de idade.
A criança sobreviveu após ser transferida em estado gravíssimo para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica em Cuiabá, onde permaneceu internada durante 22 dias. A guarda da menor está com a irmã mais velha, Caroline Fernandes, que relata sequelas físicas e psicológicas decorrentes do ataque.
Discussões Prévias, Alerta da Irmã e Dinâmica do Crime
As imagens anexadas pela assistência de acusação cobrem o cotidiano da residência nos dias que antecederam a tragédia, desconstruindo a tese de ato impulsivo:
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Conflitos Financeiros: Dias antes do crime, Daniel aparece exaltado cobrando a esposa por despesas financeiras: “Paguei R$ 100 mil em cabo aí. Tem Starlink, tem tudo aí, agora foi o dinheiro tudo aí”.
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Aviso para Ocultar Facas: O material reúne capturas de mensagens de texto nas quais a própria irmã do réu pediu que Gleici escondesse as facas da residência por “sentir algo ruim”, além de imagens em que a cunhada surge tentando intervir: “Dani, pelo amor de Deus, não faz isso”.
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Ataque e Frieza: No dia do homicídio, o agrônomo caminha pensativo pela casa, pega uma faca na cozinha e vai ao quarto onde Gleici dormia, desferindo múltiplos golpes contra ela. Na sequência, retorna com braços e mãos ensanguentados e ataca a filha de sete anos — que chega a clamar por socorro dizendo “Pai”.
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Tentativa de Limpeza: Após a intervenção da irmã e o socorro da criança, o homem foi gravado limpando os respingos de sangue espalhados pelo chão da residência.
Laudo da Politec, Inimputabilidade e Internação Custeada pelo Estado
Daniel Frasson foi submetido a perícia psiquiátrica oficial pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que emitiu laudo atestando inimputabilidade penal por quadro de depressão e transtorno mental. O parecer isenta o réu de condenação em presídio comum, convertendo eventual sanção em medida de segurança com internação.
Diante da ausência de vagas no Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, a Justiça determinou sua transferência para uma clínica psiquiátrica privada. Rodrigo Pouso contesta o diagnóstico de surto psicótico e denunciou o volume de recursos públicos despendidos para bancar a permanência do réu na rede privada:
“Merece cadeia ou spa?”
— Rodrigo Pouso, advogado e assistente de acusação, apontando que o tratamento particular já consumiu mais de R$ 200 mil dos cofres do Estado.
O caso tramita perante a 2ª Vara Criminal da Comarca de Lucas do Rio Verde, sob denúncia formal por homicídio qualificado (feminicídio) e tentativa de homicídio contra a filha.
O portal VTnews segue acompanhando o andamento da ação penal, as manifestações da defesa e as decisões do Poder Judiciário de Mato Grosso.




