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Grupo Extremista Planejava Explodir Palácio do Planalto e Mirava Debate do 2º Turno

Investigação identificou grupos no Telegram com centenas de integrantes que trocavam manuais de explosivos e mensagens de ódio; operação cumpriu mandados em oito cidades.

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), com monitoramento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, desarticulou um grupo extremista que planejava ataques a bomba contra políticos e prédios públicos em Brasília. Os alvos principais incluíam o Palácio do Planalto e o edifício onde seria realizado o debate presidencial do 2º turno das eleições.

Formado por homens que nunca haviam se encontrado pessoalmente, o grupo se comunicava através do aplicativo Telegram, disseminando discursos de ódio e instruções detalhadas para a fabricação de artefatos explosivos.

“Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios. A sociedade deve atentar para o fato de que tais comportamentos não podem ser minimizados ou normalizados”, alertou Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública.

Radicalização e Manuais de Terrorismo

As comunicações ocorriam principalmente em dois grupos. O maior deles contava com mais de 600 integrantes, e um dos perfis utilizava a foto de Adolf Hitler. A investigação revelou que os membros que apresentavam maior nível de radicalização eram convidados para um grupo mais restrito, composto por 46 pessoas. Nesse ambiente fechado, a troca de ideias dava lugar a instruções táticas.

  • Produção de armas e explosivos: Os suspeitos compartilhavam manuais ensinando a construir coquetéis Molotov e outros artefatos explosivos.

  • Logística e Custos: Havia cálculos sobre as quantidades de materiais necessários e estimativas financeiras para a execução dos ataques.

  • Recrutamento: Os administradores buscavam ativamente identificar integrantes que estivessem dispostos a matar.

O objetivo principal era invadir e detonar explosivos em prédios públicos. Para isso, os extremistas possuíam mapas dos ministérios, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional.

“Chegaram, inclusive, a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto, para mostrar lá: ‘A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui'”, detalhou o delegado Coelho, responsável pelo caso.

Mais do que destruição física, a intenção do grupo era enviar um recado violento e antidemocrático a partir da capital federal para todo o país. Mensagens interceptadas sugeriam que os extremistas listassem “os principais alvos para garantir o sucesso da revolução”, incluindo o local do debate eleitoral do 2º turno.

O Papel do Ciberlab e a Operação Policial

O monitoramento do grupo foi realizado pelo Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos do Ministério da Justiça, que atua em uma sala de acesso restrito em Brasília. Os policiais, incluindo equipes formadas por mulheres que monitoravam a intensa disseminação de misoginia, identificaram os usuários por trás dos perfis anônimos.

Em geral, os suspeitos são homens jovens envolvidos com a produção e compartilhamento de conteúdo racista, homofóbico e de apologia ao neonazismo. Apenas em 2026, o Ciberlab já produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio distintos.

Com base nos relatórios de inteligência, a Polícia Civil deflagrou na última terça-feira (4) uma operação que cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados diferentes. Os investigados responderão pelos crimes de:

  • Associação criminosa;

  • Apologia e distribuição de material nazista;

  • Incitação ao crime.

A investigação agora entra na fase de análise do material apreendido, como computadores e celulares. Para as autoridades, o risco era iminente. “A gente acredita que eles levariam [o plano] à frente. E a nossa teoria aqui é que a gente não vai pagar para ver”, afirmou o delegado.

A necessidade de vigilância constante foi reforçada pelo ministro da Justiça no encerramento das diligências: “O sentimento do extremismo será sempre contra o pluralismo. E nós todos, democratas, cidadãos, temos que estar vigilantes em relação a isso”.

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