Prefeito de Cuiabá comentou os reflexos da Operação Heritage, deflagrada pela PF sobre acordo de R$ 308 milhões, e apontou risco de instrumentalização política de investigações do passado.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), manifestou forte descontentamento com a deflagração de ações policiais contra lideranças políticas durante a corrida eleitoral. A declaração foi feita ao avaliar os desdobramentos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de irregularidades e desvios em uma transação financeira de R$ 308 milhões celebrada entre o Governo do Estado e a operadora Oi.
Embora tenha pontuado ser a favor de apurações rigorosas sempre que existirem indícios concretos de ilícitos, Abilio frisou a necessidade de estabelecer uma linha divisória clara entre o trabalho técnico de fiscalização e intervenções voltadas a impactar a disputa nas urnas.
“Imagina alguém querer investigar um fato do passado que já não está mais acontecendo ou não estaria acontecendo dentro desse período, apenas para tumultuar o processo eleitoral. Acho que esse é o X da questão. Há uma diferença entre a investigação e a instrumentalização de um ato político.” — Abilio Brunini, prefeito de Cuiabá.
Alvos da Operação e Impactos nos Bastidores
A Operação Heritage teve como alvos figuras centrais da base governista e do Judiciário estadual, incluindo o ex-governador e candidato ao Senado Mauro Mendes (União); a ex-primeira-dama e candidata a deputada federal Virginia Mendes (União); o deputado federal Fábio Garcia (União); o ex-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho; o ex-procurador-geral do Estado Francisco de Assis Lopes; o desembargador Ricardo Almeida; e o conselheiro do CNJ Ulisses Rabaneda, além de familiares e pessoas ligadas ao grupo.
Ao comentar o caso, Abilio traçou um paralelo com ações judiciais e policiais que miraram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em períodos pré-eleitorais, sugerindo que certas diligências ostensivas parecem ter como motivação principal a superexposição midiática:
“Tem atos que às vezes parecem só para fazer mídia. Tem atos que parecem só para fazer ações publicitárias. Mas está tudo certo, não tem problema.”
Mudanças na Chapa e Debate Sobre Trégua Eleitoral
A deflagração da Operação Heritage provocou uma reformulação imediata no palanque governista e na estrutura do Palácio Paiaguás. O deputado Fábio Garcia abriu mão da vaga de candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos), retornando à disputa pela reeleição na Câmara Federal, enquanto Mauro Carvalho protocolou sua renúncia da Casa Civil e Francisco Lopes deixou o comando da Procuradoria-Geral do Estado.
O posicionamento de Abilio alinha-se às recentes declarações do candidato ao Senado José Medeiros (PL), que também propôs uma trava temporal com suspensão de operações ostensivas contra candidatos nos seis meses anteriores ao pleito, visando resguardar a estabilidade jurídica da disputa eleitoral.
O portal VTnews continua acompanhando as manifestações políticas e a repercussão das apurações policiais em Mato Grosso.




