Batizada de “Operação Timber Shield”, força-tarefa interceptou caminhões carregados com toneladas de madeira usadas para ocultar a droga na fronteira.
Uma inédita e complexa articulação de inteligência internacional envolvendo as forças de segurança do Brasil, dos Estados Unidos e da Bolívia resultou na desarticulação de um esquema bilionário de tráfico internacional de entorpecentes. Batizada de “Operação Timber Shield”, a ação conjunta culminou na retenção de oito caminhões carregados com cerca de 260 toneladas de madeira que transportavam uma das maiores cargas de cocaína líquida já registradas na história do país.
O cerco estratégico foi montado na região de fronteira, englobando os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A força-tarefa reuniu em solo nacional agentes da Receita Federal do Brasil, da Polícia Federal e equipes especializadas da Polícia do Exército. No âmbito internacional, a operação contou com o suporte crucial de agências de inteligência do governo dos Estados Unidos e de policiais da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da Bolívia.
A investigação que deu origem à operação apontou que organizações criminosas de grande porte desenvolveram um sofisticado método químico de ocultação para burlar as fiscalizações alfandegárias. A cocaína em estado líquido era injetada e absorvida diretamente nas estruturas das cargas de madeira maciça que saíam do país vizinho. Sem o cruzamento de dados de inteligência e o uso de cães farejadores e escâneres de alta tecnologia fornecidos pelos órgãos parceiros, a identificação visual do entorpecente seria praticamente impossível.
Segundo estimativas iniciais divulgadas pela Receita Federal, o volume total da substância apreendida pode quebrar recordes nacionais devido ao peso bruto do carregamento interceptado. O destino final das cargas de madeira seria o mercado externo, utilizando portos brasileiros como trampolim para abastecer o continente europeu e a América do Norte. As investigações continuam ativas nos três países com o objetivo de identificar os líderes do consórcio do tráfico e mapear as empresas de fachada utilizadas na exportação fraudulenta.




