InícioBrasilDisputa por vice de Flávio Bolsonaro divide aliados

Disputa por vice de Flávio Bolsonaro divide aliados

Ala do Centrão prefere Tereza Cristina, enquanto núcleo ideológico defende o nome de Romeu Zema para compor a chapa.

A definição do candidato a vice-presidente na chapa liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) tornou-se o centro de uma queda de braço nos bastidores da direita brasileira. De um lado, setores ligados ao Centrão e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendem a indicação da senadora e ex-ministra Tereza Cristina (PP). Do outro, o chamado “núcleo duro” e a ala mais ideológica da pré-campanha pressionam pela escolha de Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais que renunciou ao cargo para disputar o pleito de outubro.

A preferência do Centrão por Tereza Cristina baseia-se no seu trânsito entre o mercado financeiro e o setor produtivo, além da capilaridade política que ela carrega junto às bancadas do Congresso. No entanto, o núcleo mais próximo ao clã Bolsonaro resiste ao nome da senadora, argumentando que a chapa precisa de um vice que ofereça “paz” e lealdade direta, sem estar vinculado a um bloco partidário com interesses próprios. O grupo teme a repetição de experiências passadas de descompasso entre o titular e seu vice.

Neste contexto, Romeu Zema surge como a “solução de lealdade” para os conselheiros mais radicais. Por ter um perfil liberal e representar o segundo maior colégio eleitoral do país (Minas Gerais), Zema é visto como alguém que agregaria votos sem representar uma ameaça de “sombra” política ao senador. Por outro lado, a resistência a Tereza Cristina também foi alimentada por episódios recentes de sua atuação parlamentar que incomodaram a ala liderada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que atua nos bastidores contra a indicação da progressista.

A discussão sobre o vice é vista como pragmática: trata-se de equilibrar tempo de TV, fundo eleitoral e o peso regional de cada nome. Enquanto a ala moderada vê em Tereza Cristina a chance de ampliar o diálogo com o centro e atrair o voto feminino e moderado, os ideológicos preferem uma chapa “puro-sangue” ou com aliados de fidelidade testada sob fogo. Flávio Bolsonaro, por sua vez, mantém o silêncio público sobre a preferência, mas aliados indicam que a escolha final deve priorizar alguém que não gere turbulências internas durante o mandato.

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