Presidente francês reage a declarações do homólogo norte-americano sobre a diferença de idade com Brigitte Macron; tensão diplomática cresce entre Paris e Washington.
O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou como “pouco elegantes” e “despropositadas” as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito do seu casamento com Brigitte Macron. Durante uma conferência de imprensa no Palácio do Eliseu, nesta quinta-feira (2), o líder francês quebrou o silêncio sobre os comentários feitos por Trump numa entrevista televisiva, onde o republicano questionou a dinâmica da relação do casal francês devido à diferença de idade. Macron afirmou que um chefe de Estado deve manter a cortesia institucional e que questões de foro íntimo não deveriam ser utilizadas como munição política.
A troca de farpas ocorre num momento de fragilidade nas relações transatlânticas. Fontes diplomáticas em Paris indicam que a postura de Trump foi recebida com indignação pelo governo francês, que vê nas falas uma tentativa de desestabilização pessoal em meio a divergências profundas sobre a NATO e as taxas alfandegárias sobre produtos europeus. “A elegância é uma virtude que se exerce tanto na vida privada como na diplomacia. Infelizmente, nem todos partilham da mesma escola”, ironizou Macron, ao ser questionado por jornalistas sobre o impacto das palavras de Trump na sua relação de trabalho com a Casa Branca.
Brigitte Macron, que raramente responde a ataques pessoais, manteve-se em silêncio, mas recebeu o apoio de diversas lideranças femininas europeias, que condenaram o teor “sexista e ageísta” das observações do presidente norte-americano. Analistas políticos observam que esta não é a primeira vez que Trump foca a sua atenção na vida pessoal de líderes estrangeiros com os quais possui fricções comerciais ou ideológicas. O episódio marca um novo ponto baixo na “bromance” que os dois líderes tentaram ensaiar no início dos seus primeiros mandatos, agora substituída por um pragmatismo gélido e críticas públicas diretas.
A Casa Branca ainda não emitiu um comunicado oficial em resposta às críticas de Macron, mas assessores próximos de Trump sugeriram que as falas foram “apenas observações francas” e que não deveriam afetar a cooperação em temas de segurança global. No entanto, o Palácio do Eliseu sinalizou que a França poderá adotar uma postura mais rígida nas próximas negociações do G7, refletindo o descontentamento com o que chamam de “diplomacia do espetáculo” exercida por Washington. O incidente reforça a divisão entre a visão liberal-progressista de Macron e o estilo nacionalista-populista de Trump, que continua a ditar o ritmo das manchetes mundiais.




