Investigação da Polícia Civil revela rede de comércios fictícios criada para branquear capitais oriundos do tráfico de drogas.
Uma investigação avançada da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT), detalhada nesta segunda-feira (23 de março), desvendou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado por uma das maiores facções criminosas atuantes no estado. O grupo utilizava uma rede de empresas fantasmas, registradas em nomes de “laranjas”, para movimentar e legalizar milhões de reais provenientes do tráfico de drogas e da venda de armas. O esquema permitia que o capital ilícito fosse inserido no sistema financeiro formal através de depósitos fracionados e simulação de atividades comerciais inexistentes.
As empresas, que no papel figuravam como prestadoras de serviços de consultoria, construção civil e até pequenos comércios de bairro, não possuíam sede física compatível ou funcionários registrados. Segundo a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), o volume de transações bancárias era desproporcional ao faturamento declarado, o que acionou os alertas dos órgãos de controle financeiro (Coaf). A polícia identificou que o dinheiro “limpo” retornava para a cúpula da organização, financiando um estilo de vida de luxo e a aquisição de bens de alto valor em Cuiabá e Várzea Grande.
A Estrutura da Lavagem de Capitais
A estratégia da facção envolvia a fragmentação de valores para evitar a fiscalização automática dos bancos. Além das empresas de fachada, o grupo utilizava contas de terceiros — muitas vezes pessoas vulneráveis aliciadas pelos criminosos — para realizar os repasses. A investigação aponta que a lavagem de dinheiro é o “pulmão” da organização, pois permite a manutenção da estrutura logística necessária para o transporte interestadual de entorpecentes, garantindo o fluxo constante de caixa para o pagamento de fornecedores e logística.
Vários mandados de busca, apreensão e sequestro de bens foram expedidos pela Justiça para descapitalizar o grupo. Imóveis, veículos de luxo e contas bancárias foram bloqueados como parte da estratégia de sufocamento financeiro da facção. A Polícia Civil agora trabalha no cruzamento de dados para identificar profissionais de contabilidade e do setor jurídico que possam ter auxiliado tecnicamente na abertura e manutenção das empresas fictícias, visando desarticular não apenas a base operacional, mas também o “setor administrativo” do crime organizado em Mato Grosso.




