Operação investiga o uso de tecnologias invasivas para monitorar comunicações e dados fiscais de magistrados; mandados de prisão foram expedidos em quatro estados.
A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação nesta quarta-feira (1º) para desarticular uma organização criminosa suspeita de contratar serviços de espionagem ilegal contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O principal alvo é um empresário do setor de tecnologia, cujo nome é mantido sob sigilo, suspeito de chefiar o esquema que visava obter dados sigilosos, incluindo registros telefônicos, movimentações fiscais e comunicações privadas de magistrados da Suprema Corte. Até o momento, o empresário é considerado foragido.
As investigações apontam que o grupo utilizava softwares espiões de última geração, capazes de infectar dispositivos móveis sem a interação do usuário, para monitorar em tempo real as atividades dos ministros. Além da quebra de sigilo, a PF investiga se os dados obtidos seriam utilizados para tentativas de chantagem ou para municiar campanhas de desinformação em redes sociais. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, onde foram apreendidos computadores, servidores e documentos.
De acordo com fontes ligadas à investigação, o esquema contava com o apoio de hackers profissionais e, possivelmente, com a colaboração de funcionários de empresas de telecomunicações que facilitavam o acesso aos sistemas. O monitoramento teria ocorrido de forma intensiva ao longo de 2025, coincidindo com o julgamento de processos de grande impacto político e econômico. O STF emitiu uma nota afirmando que confia nas instituições para a completa elucidação dos factos e punição dos responsáveis por este “atentado à independência do Judiciário”.
O inquérito corre sob segredo de justiça no âmbito das investigações sobre milícias digitais e atos antidemocráticos. A Polícia Federal solicitou a inclusão do nome do empresário na difusão vermelha da Interpol, caso se confirme que ele deixou o país. Especialistas em cibersegurança alertam que este episódio sublinha a vulnerabilidade de altas autoridades diante de tecnologias de vigilância privada e a necessidade de reforço nos protocolos de proteção de dados sensíveis da administração pública.




