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Com 260 Anos de Condenação, 'Angeliquinha' Ficará Isolada por Seis Meses no RDD em Cuiabá Após Fuga e Prisão na Bolívia; Veja Vídeo

Líder de facção no extremo norte de MT foi recolhida à mesma penitenciária feminina de onde escapou em 2025; Justiça determinou corte drástico de visitas, banho de sol reduzido e monitoramento constante.

VT

Por Da Redação

21/10/2026 às 11:13

Com 260 Anos de Condenação, 'Angeliquinha' Ficará Isolada por Seis Meses no RDD em Cuiabá Após Fuga e Prisão na Bolívia; Veja Vídeo
Foto: Angeliquinha é transferida para Cuiabá nesta Terça-feira (20) - Montagem/VTNews


A faccionada Angélica Saraiva de Sá, conhecida no submundo do crime como “Angeliquinha”, foi submetida ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e permanecerá em isolamento celular estrito, sem qualquer contato físico ou visual com outras detentas dentro da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. As medidas restritivas foram fixadas pelo Poder Judiciário pelo prazo inicial de seis meses, admitindo sucessivas prorrogações caso a manutenção da ordem carcerária assim exigir.

As diretrizes do regime disciplinar de segurança máxima foram detalhadas na manhã desta quarta-feira (21) pelo titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, durante entrevista coletiva concedida à imprensa sobre o recambiamento da presa a Mato Grosso após sua captura internacional em território boliviano:

“Para ficar mais explicado, é um isolamento. Então, ela tem direitos de prisioneira cerceados, dentro do que determina a Lei de Execuções Penais. Ela tem um período menor de visitas, fica isolada, sem contato com outras presas, e o banho de sol, os períodos em que ela possa sair da cela, são menores. Também vai ter uma vigilância maior.”

— Victor Hugo Caetano de Freitas, delegado da Draco.

A imposição do RDD foi pleiteada pela Polícia Civil e chancelada pela 5ª Vara Criminal da Comarca de Sinop em razão do perfil de extrema letalidade e liderança atribuído à sentenciada, que ocupa papel de destaque no organograma de uma facção criminosa no extremo norte mato-grossense:

“Isso se deu em razão de ela ser uma prisioneira de altíssima periculosidade, com 260 anos de condenação, fora os outros inquéritos e processos de ações penais em andamento, e por ser uma das líderes de organização criminosa.”

Retorno ao Presídio de Onde Fugiu e Plano de Segurança

Angeliquinha desembarcou em Cuiabá na terça-feira (20), transferida de aeronave após permanecer provisoriamente sob custódia no Estabelecimento Penal Feminino de Corumbá (MS). A transferência a recolocou justamente na unidade prisional da capital mato-grossense da qual havia empreendido fuga em 17 de agosto de 2025.

A recaptura ocorreu no dia 22 de setembro de 2026, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em ação coordenada de inteligência entre as forças de segurança brasileiras e a polícia boliviana. Dois dias após ser localizada no país vizinho, ela foi expulsa e entregue formalmente às autoridades da Polícia Federal na linha de fronteira em Corumbá.

O deslocamento até Cuiabá exigiu uma megaoperação tática para prevenir eventuais planos de resgate armado por comparsas ou ataques de grupos rivais:

“É uma presa de altíssima periculosidade, com chances de ter algum tipo de reprimenda por membros de facção. Então, tem que haver uma supremacia de forças do Estado, para que haja uma ação coordenada e planejada para que ela seja trazida para cá.”

Histórico Violento e R$ 20 Milhões em Tráfico e Garimpo

Durante o pronunciamento, a autoridade policial expôs a extensa folha de antecedentes criminais de Angeliquinha, cujas condenações unificadas acumulam mais de dois séculos e meio de reclusão por crimes de homicídio qualificado, integrar organização criminosa e lavagem de capitais.

Os registros policiais contra a criminosa tiveram início quando ela tinha apenas 16 anos. Com o passar do tempo, escalou postos na hierarquia do crime por meio de atos de violência exacerbada:

“A Angélica é mandante de diversos homicídios, é uma criminosa contumaz e cruel, pelo que a gente vê nos relatos e sentenças em relação aos homicídios.”

A Polícia Civil, por meio das investigações da Operação Showdown, desvendou que o núcleo liderado por Angeliquinha operava a distribuição de drogas e controlava pontos clandestinos de garimpo em Alta Floresta e Nova Bandeirantes. Os relatórios de inteligência financeira comprovaram uma movimentação bancária superior a R$ 20 milhões em um período de apenas um ano e sete meses, operada por meio de empresas de fachada e contas vinculadas a seu círculo familiar.

As apurações da Draco continuam em andamento para mapear o patrimônio ocultado pela criminosa e apurar se ela continuou emitindo ordens de execuções e controlando rotas de tráfico durante o período em que permaneceu foragida no território boliviano.

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