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Em Giro Histórico, Líder do PT Propõe Redução da Maioridade Penal para 16 Anos em Crimes Hediondos

Sugestão de Camilo Santana à PEC da Segurança tenta conter avanço de texto de Rogério Marinho, que prevê punição a partir dos 14 anos; a dez dias do 2º turno, pesquisa Quaest aponta que 61% dos brasileiros apoiam a medida.

VT

Por Da Redação

15/10/2026 às 11:08

Em Giro Histórico, Líder do PT Propõe Redução da Maioridade Penal para 16 Anos em Crimes Hediondos
Foto: Camilo Santana, líder do PT no Senado — Foto: Ricardo Stuckert /PR

Em um movimento que rompe com uma das posições históricas mais consolidadas da esquerda no Congresso Nacional, o líder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Senado Federal, Camilo Santana (CE), protocolou uma sugestão de emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública com o objetivo de reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos comprovados de crimes hediondos. A matéria está incluída na pauta de deliberações do plenário do Senado desta quinta-feira (15).

A iniciativa do parlamentar cearense surge como uma reação direta e estratégica para contrapor a proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). O texto patrocinado pelo líder oposicionista propõe uma redução ainda mais profunda da idade penal: rebaixa o limite geral para 16 anos na maior parte dos delitos do Código Penal e estabelece a punibilidade penal a partir dos 14 anos para uma lista específica de crimes considerados de extrema gravidade.

Marinho atua como coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), que inclusive divulgou material audiovisual nas redes sociais encampando com ênfase a diminuição etária como uma de suas principais promessas na área de combate à criminalidade.


Guinada Diante da Pressão das Urnas

A postura adotada por Camilo Santana marca uma inflexão de rota expressiva no Parlamento. Tradicionalmente, as bancadas do PT e de siglas aliadas sempre se manifestaram de forma contrária e intransigente a qualquer tentativa de flexibilização do artigo 228 da Constituição Federal.

O argumento basilar sustentado ao longo das últimas décadas pelo campo progressista apoiava-se no diagnóstico de que o encarceramento juvenil sobrecarregaria ainda mais o já colapsado sistema penitenciário nacional, funcionando como um canal direto de cooptação de jovens pelas facções criminosas nos presídios comuns.

Contudo, a proximidade com o segundo turno da corrida presidencial — marcado para o dia 25 de outubro — alterou o cálculo político na Casa Alta. A matéria chega ao plenário a exatos dez dias da votação definitiva, em um momento em que pesquisas de opinião pública revelam adesão maciça da sociedade à mudança legislativa: segundo levantamento divulgado pelo instituto Quaest nesta terça-feira (14), 61% da população brasileira declara apoio à redução da maioridade penal no país.


A proposta de Camilo Santana tenta, dessa forma, oferecer uma alternativa intermediária e desarmar o discurso de segurança pública explorado pela campanha bolsonarista na reta final da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, restringindo a responsabilização precoce apenas às infrações com violência extrema ou letalidade. O texto definitivo será objeto de intensas negociações de líderes partidários ao longo da sessão desta quinta no Senado.

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