Gaeco Mobiliza 200 Policiais e Mira 15 Vereadores de VG e Cuiabá em Operação Contra Negociação de Cargos e Corrupção
Força-tarefa cumpre 30 mandados de busca e apreensão em três municípios de MT; investigação apura esquema de vantagens indevidas e organização criminosa na Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) — força-tarefa composta por membros do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo — deflagrou, na manhã desta terça-feira (20), a Operação Cathedra Venalis. A investida cumpre 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular expedidos pelo Poder Judiciário em endereços de alvos investigados localizados em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

O foco central da apuração recai sobre irregularidades e desvios estruturados que envolvem diretamente a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. O procedimento investigativo mira a atuação de uma suposta organização criminosa voltada à prática reiterada de crimes contra a Administração Pública, cooptação de agentes estatais, negociação ilegal de cargos e obtenção sistemática de vantagens financeiras indevidas com impacto direto na administração municipal.
Ao todo, 15 parlamentares constam na lista de investigados da ação penal, sendo 13 com assento na Câmara de Várzea Grande e dois vereadores da capital mato-grossense.

Quem São os Parlamentares e Servidores Alvos
Conforme apurações de bastidores ligadas ao cumprimento dos mandados, estão entre os vereadores de Várzea Grande citados nas apurações:
Wanderley Cerqueira;
Gisa Barros;
Rogerinho Dakar;
Cilço da Cruz;
Braz Jaciro;
Alecsand;
Wender Silva;
Denival Galibert;
Miguel Angel;
Lucélia Oliveira;
Kleberton Feitoza;
Raul Coelho;
Emerson César;
Raul Curvo.
Além dos membros do parlamento várzea-grandense, a operação mirou cargos-chave da estrutura burocrática e administrativa do Legislativo municipal: a diretora financeira da Câmara, Lorineide, e o secretário legislativo, Samir.
Em Cuiabá, as equipes policiais cumpriram ordens judiciais de busca direcionadas aos gabinetes e residências dos vereadores Ilde Taques e Alex, averiguando a conexão de agentes políticos da capital com a engrenagem de facilitação e acordos espúrios investigada na cidade vizinha.
Megaestrutura Policial e o Significado de 'Cathedra Venalis'
Para dar cumprimento simultâneo às 30 ordens judiciais de apreensão nas três cidades, a operação montou um aparato com a mobilização de mais de 200 agentes de segurança pública. A força-tarefa contou com apoio tático e operacional de unidades especializadas do Comando Regional I (Cuiabá) e Comando Regional II (Várzea Grande), Diretoria da Agência Central de Inteligência, Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Regimento de Policiamento Montado (Cavalaria), Batalhão de Proteção Ambiental, RAIO e Grupos de Apoio (GAP).
O nome dado à operação, Cathedra Venalis, é uma locução em latim cuja tradução literal significa "cadeira venal" ou "cargo negociado". Segundo os coordenadores do Gaeco, a escolha da denominação sintetiza as práticas ilícitas apuradas no inquérito, caracterizadas pela mercantilização de cadeiras no parlamento e a negociação espúria de funções públicas para a formação de blocos de poder e enriquecimento ilícito.
Os materiais apreendidos — incluindo computadores, documentos de prestação de contas, contratos, dispositivos móveis e mídias eletrônicas — foram encaminhados à sede do Gaeco para extração de dados e perícia técnica, com o objetivo de aprofundar a delimitação da conduta individual de cada agente público e subsidiar o oferecimento de denúncia-crime à Justiça.
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