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STF Abre Inquérito Contra Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz por Suspeita de Lavagem de Dinheiro; Moraes É o Relator

Investigação da Polícia Federal no RS encontrou e-mails apontando o senador como "usuário master" de conta bancária de empresa ligada ao advogado; alvos negam irregularidades e apontam motivação eleitoral a horas do debate.

VT

Por Da Redação

18/10/2026 às 22:29

STF Abre Inquérito Contra Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz por Suspeita de Lavagem de Dinheiro; Moraes É o Relator
Foto: Flavio Bolsonaro durante agenda de campanha na Região dos Lagos e Norte Fluminense — Foto: Ludmila Lopes

O Supremo Tribunal Federal (STF) instaurou um novo inquérito criminal para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, empresas sob sua titularidade e o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Por meio de sorteio eletrônico, o ministro Alexandre de Moraes foi designado como relator da investigação.

O caso teve origem na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde a Polícia Federal apurava a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de capitais, evasão de divisas e o emprego de operadores de apostas eletrônicas para a dissimulação de valores. Durante a execução da quebra de sigilo telemático autorizada judicialmente contra Willer Tomaz, os agentes federais identificaram mensagens e documentos apontando que Flávio Bolsonaro teria sido cadastrado como "usuário master" em uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, controlada pelo advogado.

Advogado Willer Tomaz — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


Em decorrência da prerrogativa de foro por função exercida pelo parlamentar, o processo foi remetido pelo juízo do Rio Grande do Sul ao STF no dia 8 de outubro. Após a distribuição, a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisou o acervo probatório preliminar e emitiu parecer formal favorável à abertura de inquérito na Corte máxima. A instauração do procedimento foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo portal g1.

Com a decisão, este passa a ser o segundo inquérito em tramitação contra Flávio Bolsonaro no STF. O primeiro, que tem como relator o ministro André Mendonça, foi instaurado em julho para apurar suposto repasse financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a produção do documentário internacional Dark Horse.

O Perfil de 'Usuário Master' e Documentos Pessoais na Nuvem

No relatório técnico encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, os investigadores da PF destacaram o controle operacional atribuído ao senador na empresa de Tomaz:

"Na documentação relativa à abertura da conta bancária da empresa Alcazar Holding, verificou-se que Flávio Bolsonaro figurava com perfil de usuário master, condição que, em princípio, lhe conferia nível elevado de acesso e gerenciamento da conta."

O documento policial aponta ainda a data em que o acesso teria sido formalmente revogado por solicitação de Willer Tomaz:

"Posteriormente, em e-mail datado de 22/05/2025, foi expressamente solicitada a exclusão de seu acesso, elemento que indica que o senador permanecia vinculado à conta bancária, ao menos sob a perspectiva operacional, até aquela data."

A equipe policial sustentou no processo que "foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro". De acordo com o acervo arrecadado, foram localizadas anotações sobre confraternizações, compromissos conjuntos, arquivos e documentos de uso estritamente pessoal do parlamentar armazenados no serviço de nuvem (iCloud) do advogado, além de comprovantes de despesas de viagens do presidenciável custeadas pela empresa Cathedral, também vinculada a Willer Tomaz.

Vínculos com Casas de Apostas, Rede Loto e Blaze

A apuração da Polícia Federal também se debruça sobre a estrutura do mercado de apostas de quota fixa. A corporação aponta a existência de "elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto", pessoa jurídica pioneira na obtenção de credenciamento e autorização formal da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para atuar no segmento em território fluminense.

Em outra frente do relatório, a PF sustenta a suspeita de que a empresa RioPag, que transaciona operações no setor de jogos no Rio de Janeiro, seja "pertencente de fato a Willer Tomaz, embora seu nome não conste diretamente do quadro societário", aduzindo indícios de comando e interesse financeiro por parte do operador.

Os peritos também examinam transferências vultosas direcionadas pelo advogado à plataforma de apostas Blaze:

"O endereço vinculado à Foggo Entertainment Ltda, CNPJ representativo da Blaze, para a qual o investigado transferiu valores vultosos, já teria sido utilizado anteriormente por outras empresas ligadas a um ex-sócio seu e pela própria RioPag."

Posicionamento das Defesas

Por meio de nota oficial, o advogado Willer Tomaz rebateu veementemente as acusações e criticou o momento em que os fatos vieram a público:

"Causa estranheza o vazamento, num domingo e a poucas horas do debate entre os candidatos à Presidência, de um suposto inquérito até então desconhecido. Trata-se do uso indevido do aparato policial com o claro propósito de requentar acusações infundadas e interferir no resultado das urnas. A Rede Loto jamais operou como plataforma de apostas, e a Cathedral é tão somente uma holding patrimonial. Não houve circulação de recursos entre as empresas mencionadas; portanto, inexiste qualquer movimentação financeira irregular. É igualmente inaceitável que a quebra do sigilo telemático do advogado Willer Tomaz sirva de instrumento para uma 'pescaria probatória' destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais."

— Willer Tomaz, advogado.

A defesa técnica de Flávio Bolsonaro também se manifestou por nota, afirmando que a ligação entre ambos restringe-se ao convívio familiar:

"A única relação existente entre eles é a de amizade entre as famílias e qualquer tentativa de insinuar irregularidades a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos. Da mesma forma, o senador nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz e nenhuma de suas empresas. Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa. Essas insinuações não surgem por acaso. Aparecem agora, em pleno período eleitoral, com um propósito único: espalhar Fake News."

— Defesa de Flávio Bolsonaro.

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