sexta-feira, agosto 19, 2022
HomeTecnologiaEstudo da UFJF foca em tecnologia 3D para produção de medicamentos

Estudo da UFJF foca em tecnologia 3D para produção de medicamentos

G1

Pesquisadores do Núcleo de Pesquisa e Inovação em Ciências da Saúde (Nupics) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realizaram uma pesquisa para o desenvolvimento de uma nova forma do uso da tecnologia para a fabricação de “Minoxidil” – medicamento usado no tratamento de alopecia.

O objetivo da ação foi estudar o uso da impressão 3D para a produção personalizada e mais eficiente de remédios. Segundo uma das cientistas, Nádia Raposo, a “impressão 3D permite a personalização da dosagem do minoxidil oral, o que minimiza a ocorrência de efeitos colaterais, propiciando a maior aderência do paciente e a eficácia do tratamento”.

Segundo a pesquisadora, o método consiste na personalização dos medicamentos, de forma economicamente viável e ainda possibilita a individualização de doses, propicia o desenvolvimento de design diferenciado e a consequente liberação controlada dos fármacos.

Conforme Nádia Raposo, outra vantagem é a fabricação de um único comprimido com fármacos diferentes, de acordo com a prescrição de cada indivíduo, além do aumento da complexidade dos remédios.

A tecnologia também proporciona a descentralização da produção dos produtos de grandes indústrias farmacêuticas para farmácias e hospitais locais, sendo viável também em locais remotos.

Como funciona a técnica?
No setor farmacêutico, uma das tecnologias mais empregada é a Fused Deposition Modeling (FDM). Na ocasião, o objeto é produzido a partir de um desenho 3D digital.

“A impressora utiliza um filamento de polímero termoplástico que passa em um bocal aquecido, derretendo o material, o qual é depositado camada por camada na plataforma, formando o objeto”, descreveu Laura Junqueira, aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Faculdade de Medicina da UFJF, orientada pelo professor Marcos Brandão.

Na técnica, o medicamento pode ser incorporado por meio de dois processos diferentes: extrusão a quente ou impregnação. O primeiro método utiliza uma extrusora que fornece calor e pressão para produzir um filamento medicamentoso.

Já a impregnação, é baseada na submersão do filamento em uma solução concentrada do fármaco. No entanto, esse processo é caro devido a necessidade do uso de alta quantidade de princípio ativo e da baixa quantidade de fármaco incorporada. Por isso, o objetivo do estudo foi explorar o uso de um novo método direto de impregnação de medicamentos usando comprimidos impressos como moldes.

De acordo com a instituição, os pesquisadores utilizaram filamentos de ácido poliláctico, um polímero biocompatível e biodegradável. O produto foi escolhido como matéria-prima para a fabricação do comprimido porque é um polímero de grau farmacêutico que pode ser transformado em filamentos e é o bioplástico mais utilizado para impressão 3D.

“Além disso, uma característica importante é a capacidade de não produzir toxicidade ou efeitos cancerígenos no corpo humano”, destacou Nádia.

O grupo também observou que o método desenvolvido tem algumas vantagens sobre a impregnação tradicional. Uma das diferenças é o tempo necessário para executar o processo. No tática comum, o filamento é geralmente deixado por 24 a 48 horas na solução concentrada do medicamento para a impregnação.

Já na via desenvolvido pelo grupo, o processo ocorre em poucos minutos. Além disso, a quantidade exata do medicamento é aplicada ao molde, sem desperdício.

- Advertisment -

Most Popular

Recent Comments