Decisão do Tribunal do Júri encerra sessão de 13 horas; ré foi considerada culpada por homicídio culposo sob efeito de álcool em caso de 2018.
O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta terça-feira (23), a bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro a uma pena de 6 anos de reclusão em regime inicial semiaberto. O veredito põe fim a um julgamento que se estendeu por cerca de 13 horas e trata de um dos episódios de trânsito de maior comoção social em Mato Grosso, conhecido como o “Caso Valley”, ocorrido no final de 2018.
Após as argumentações da acusação e da defesa, o conselho de sentença reconheceu que a ré cometeu dois crimes de homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) na direção de veículo automotor sob a influência de álcool, resultando nas mortes da estudante de direito Myllena Lacerda Inocêncio, de 22 anos, e do cantor Ramon Alcides Viveiros, de 25 anos. Os jurados também consideraram Rafaela culpada por lesão corporal culposa grave contra a jovem Hya Girotto Santos, única sobrevivente do atropelamento.
O trágico acidente automobilístico aconteceu na madrugada de 23 de dezembro de 2018, quando as três vítimas deixavam uma casa noturna localizada na Avenida Isaac Póvoas e tentavam atravessar a via. Rafaela, que dirigia uma caminhonete, atingiu o grupo. Myllena faleceu de forma instantânea no local, enquanto Ramon foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos após passar cinco dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Hya passou por quatro cirurgias complexas e sobreviveu com sequelas.
Na fixação da pena, amparada pelas diretrizes do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a magistrada responsável pelo caso também manteve a suspensão do direito da bióloga de dirigir veículos automotores até o cumprimento integral da sentença. A leitura da decisão gerou momentos de tumulto e protestos por parte de familiares das vítimas presentes no plenário, que consideraram a pena branda. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que sustentava a tese de homicídio doloso (dolo eventual), informou que irá recorrer para ampliar a punição, enquanto a defesa da ré também sinalizou que pretende contestar o resultado junto às instâncias superiores.




