Sem Efeito Prático, Recurso do Planalto Visa Apenas ‘Marcar Posição’ Enquanto Setor Empresarial Rejeita Retaliação
Integrantes da diplomacia do governo federal avaliam que um eventual recurso do Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as recentes barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos terá caráter estritamente “simbólico”. A estratégia serve para marcar a posição política do país contra as medidas unilaterais tomadas pela gestão de Donald Trump, mas possui chances quase nulas de gerar resultados práticos imediatos.
A reação do Palácio do Planalto ocorre após a confirmação do segundo pacote de sanções econômicas americanas contra o mercado brasileiro:
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Primeiro pacote (25%): Justificado pela Casa Branca sob a alegação de que o Brasil adota práticas econômicas desleais contra empresários norte-americanos.
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Segundo pacote (12,5%): Aplicado sob o argumento de que o Brasil e dezenas de outros países falharam na proibição e fiscalização do comércio de produtos oriundos de trabalho forçado.
Em resposta oficial, o governo brasileiro classificou as atitudes de Washington como “arbitrárias e injustificadas”, anunciando que acionará os mecanismos da Lei de Reciprocidade e recorrerá à OMC. Contudo, diplomatas em Brasília reconhecem a limitação dessa via multilateral.
“Mostra que é um recurso à mão. Simbólico, hoje em dia. Para marcar posição.” — Integrante do governo brasileiro, sob condição de anonimato.
O Paralisia da OMC e o Histórico de Disputas
Criada em 1995 com o objetivo de regulamentar e garantir a concorrência justa no comércio global, a OMC já foi um foro decisivo para a diplomacia econômica brasileira. Em 2004, por exemplo, o Brasil conquistou uma vitória histórica na organização contra os subsídios dados aos produtores de algodão dos EUA, garantindo o direito de impor sanções de US$ 830 milhões contra produtos americanos.
No entanto, o mecanismo de solução de controvérsias da entidade está esvaziado. Desde 2019, o Órgão de Apelação da OMC encontra-se paralisado justamente por ação de Donald Trump, que em seu primeiro mandato bloqueou a nomeação de novos juízes. Sem essa estrutura funcional, qualquer decisão favorável acaba congelada em recurso, anulando a eficácia prática da medida.
Setor Empresarial Defende Diálogo e Rejeita Lei de Reciprocidade
Enquanto o governo sinaliza com retaliações, as principais entidades do setor produtivo brasileiro se posicionaram firmemente contra a aplicação da Lei de Reciprocidade ou a escalada de sanções mútuas. A avaliação do empresariado é de que uma “guerra de tarifas” prejudicaria ainda mais a economia nacional.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) emitiram comunicados pedindo prioridade às vias diplomáticas:
“A entidade ressalta que não apoia a adoção de medidas de retaliação comercial nem a aplicação da Lei de Reciprocidade como resposta às iniciativas adotadas pelos Estados Unidos. O momento exige a retomada do diálogo.” — Nota oficial da Abimaq.
“A AmCham Brasil reitera que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos.” — Comunicado oficial da Amcham Brasil.
O governo brasileiro afirma que continuará avaliando o cenário internacional, buscando manter abertos os canais de negociação técnica com Washington para mitigar os prejuízos aos exportadores nacionais. O portal VTnews segue acompanhando as tratativas diplomáticas.




