Carga geral e contêineres: como a chegada da ferrovia a Cuiabá promete baratear o custo de vida do consumidor
Transporte de insumos, materiais de construção e bebidas pelo modal ferroviário reduz o custo do frete de retorno e prepara a Baixada Cuiabana para se tornar um grande hub industrial.
Diferente do modelo ferroviário tradicional, focado exclusivamente no transporte de grãos e combustíveis para exportação, o avanço da malha ferroviária até a Baixada Cuiabana traz como principal diferencial a movimentação de carga geral por contêineres. Em participação no Podcast VT Business, o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, explicou que a operação logística integrada promete impactar diretamente o bolso do consumidor final ao baratear o frete de produtos manufaturados vindo do Sudeste.
O modal ferroviário em Mato Grosso deixou de ser uma via de mão única para o escoamento de commodities agrícolas. Segundo revelou o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, ao jornalista Denival Bitencourt no programa VT Business, a atuação da Brado Logística (subsidiária da Rumo) no transporte de contêineres está barateando a chegada de insumos, alimentos, bebidas e materiais de construção no Estado. Com a expansão até Cuiabá, a expectativa é consolidar a região metropolitana como um hub de industrialização.
Historicamente, as ferrovias no Brasil Central operavam com foco restrito no transporte a granel: grãos e farelo de soja no sentido do porto, e combustível no sentido do interior. Com a consolidação das operações conteinerizadas, contudo, os vagões que antes retornavam vazios do Sudeste agora vêm carregados com produtos destinados ao consumo direto da população.
Atualmente, cerca de 80% dos contêineres movimentados pela Brado Logística partem de polos industriais como Sumaré (SP) e chegam ao terminal de Rondonópolis. De lá, as mercadorias passam por transbordo rodoviário para abastecer Cuiabá e Várzea Grande, que formam o maior mercado consumidor de Mato Grosso. “Nesses contêineres chegam bebidas, materiais de construção, alimentos para supermercados e uma série de produtos do dia a dia. Com a redução no custo do frete, esse valor mais competitivo chega ao consumidor final”, detalhou Vuolo.
O impacto socioeconômico de um terminal ferroviário já é visível em Rondonópolis, onde cerca de um terço de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do município é gerado pelas atividades vinculadas ao complexo logístico local. O terminal atrai empresas, movimenta a receita municipal e gera mais de 4.000 empregos diretos.
Com a futura implantação do terminal no Trevo de Santo Antônio de Leverger — região que conta com infraestrutura prévia de gasoduto, usina termoelétrica e o Porto Seco (estação aduaneira) —, a Baixada Cuiabana ganha os requisitos necessários para diversificar sua matriz econômica. A meta é atrair indústrias de transformação, permitindo que a matéria-prima local seja processada no Estado antes de ser distribuída nacional e internacionalmente.
“Quando meu pai pensou a ferrovia, ele não pensou em transporte de carga. Ele pensou em transporte de desenvolvimento. O importante é que o resultado econômico reflita no cidadão, barateando o frete e gerando empregos.” — Francisco Vuolo
A migração de insumos e produtos acabados para os trilhos ataca um dos principais gargalos estruturais do Centro-Oeste: o “custo Brasil” decorrente das longas distâncias terrestres. Ao criar uma logística eficiente de retorno de cargas, Mato Grosso ganha competitividade dupla. De um lado, desonera a cesta de consumo da população e o custo de produção da construção civil e do comércio; de outro, oferece a estrutura energética e de transporte necessária para que a Baixada Cuiabana deixe de ser meramente consumidora e passe a agregar valor industrial às suas commodities.
A transformação econômica proporcionada pelos trilhos vai muito além do agronegócio. Assista à íntegra da entrevista de Francisco Vuolo ao Podcast VT Business no canal da VT NEWS no YouTube e acompanhe as análises sobre o futuro da indústria e do comércio em Mato Grosso.




