Ex-funcionários que trabalharam na residência do influenciador digital Hytalo Santos entregaram ao Ministério Público do Trabalho da Paraíba (MPT-PB) relatos chocantes sobre a rotina imposta a adolescentes confinados para gravar conteúdo gerador de lucro nas redes sociais.
Controle extremo e ambiente degradante
Segundo os relatos, adolescentes eram tratados como “propriedade”, sem autonomia para ações básicas como usar o celular, comer ou dormir — tudo condicionando à autorização expressa de Hytalo. O uso de aparelhos eletrônicos era controlado de forma rigorosa, restringindo inclusive a comunicação com o exterior.
Ex-funcionários descreveram um ambiente que combinava exploração infantil, restrição severa de necessidades básicas e aparência de “reality show”: os jovens gravavam diariamente coreografias sensuais ou participavam de cenas que, muitas vezes, iam contra os próprios horários escolares.
Festas com álcool e falta de higiene
Além da rotina excessivamente controlada, houve relatos de festas com consumo livre de bebidas alcoólicas aos adolescentes — “todos bebiam, sem restrição”, segundo ex-funcionários.
Os locais, segundo uma ex-funcionária, eram mantidos em estado de sujeira, e os adolescentes frequentemente ficavam sem alimentação adequada até receberem autorização para se alimentar.
Supervisão falsa e exploração sistemática
A advogada que representa os ex-funcionários destacou ainda que o Conselho Tutelar realizava visitas previamente agendadas e direcionadas, sem alterar de fato as condições vividas pelos menores.
O MPT‑PB investiga agora indícios de tráfico de pessoas e exploração infantil, com os adolescentes gerando lucro por meio de vídeos postados nas redes sociais por meio de rifas, sorteios e publicidade.
Profissão sob suspeita
Hytalo Santos, juntamente com o marido, Israel Nata Vicente, foram presos na sexta-feira (15) em São Paulo. A prisão se deu por acusações que incluem tráfico de pessoas, exploração sexual de menores e trabalho infantil, com respaldo do MPT, Ministério Público da Paraíba e da Polícia Civil




