Sanções do Tesouro Americano e Operações na Flórida
O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, afirmou nesta quarta-feira (1º) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) utiliza ativamente o sistema financeiro americano para lavar dinheiro. A declaração faz parte de um comunicado oficial do Departamento do Tesouro sobre as novas sanções econômicas aplicadas contra dois cidadãos brasileiros e três empresas baseadas no Brasil.
De acordo com o documento, a facção criminosa mantém operações estruturadas no estado da Flórida, abrangendo desde a lavagem de capitais até a distribuição de drogas em território norte-americano. O Tesouro destacou a gravidade da situação, ressaltando que o grupo representa uma ameaça direta à segurança dos EUA e classificando o PCC como a “maior organização criminosa transnacional (TCO) do Hemisfério Ocidental”, com atuação expandida para países como Japão, Turquia e Reino Unido.
O Esquema de Criptomoedas e a Conexão Com o Futebol
O principal alvo desta rodada de sanções é Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelas autoridades como o elo central entre a cúpula do PCC e redes internacionais de tráfico de drogas. Operando a partir de dois grandes centros, São Paulo e Flórida, a organização de Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões em fundos ilícitos gerados em diversas cidades americanas. Para despistar as autoridades financeiras, o grupo utilizava criptomoedas para transferir os recursos de volta ao Brasil.
Outra brasileira sancionada é Stella Stefanie de Oliveira, identificada como parente e colaboradora direta de Shimada. Ela atuava no suporte logístico do esquema e era responsável por intermediar a movimentação de enormes quantias em dinheiro físico.
A investigação internacional também esbarrou em esquemas ligados ao esporte brasileiro. Shimada já havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em julho de 2025, envolvido no escândalo de lavagem de dinheiro da VaideBet, ex-patrocinadora do Corinthians. O governo americano revelou que a empresa Victory Trading, da qual Shimada é sócio, foi efetivamente utilizada para lavar o dinheiro desviado do clube paulista em um esquema de fraude publicitária (embora o nome do time não tenha sido citado nominalmente no comunicado estrangeiro).
Classificação Como Grupo Terrorista e Força-Tarefa
A ofensiva econômica ocorre no esteio de uma mudança drástica na política externa americana. Em 29 de maio, o Departamento de Estado dos EUA classificou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, uma determinação que entrou em vigor no dia 5 de junho, contrariando apelos do governo federal brasileiro. Essa nova classificação abre caminho para ações unilaterais mais severas, como a sanção de cidadãos, confisco de bens e, em último caso, intervenções diretas.
A megaoperação atual é coordenada de forma conjunta por grandes agências de inteligência:
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HSTF: Força-Tarefa de Segurança Interna.
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FBI: Escritório regional de Miami.
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DOJ: Seção de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco do Departamento de Justiça.
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OFAC: Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros.
Esta marca a terceira grande ação do OFAC contra o PCC. A facção foi alvo de sanções pela primeira vez em 2021, devido ao seu envolvimento massivo com o tráfico internacional. Posteriormente, em 2024, o órgão puniu Diego Macedo Gonçalves do Carmo, que também atuava como operador financeiro para a organização criminosa.




