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Número de Mortes por Terremoto na Venezuela Sobe Para 2.295 com Queda nos Resgates

Crise Humanitária e Alerta de Subnotificação

O balanço oficial das vítimas dos terremotos na Venezuela sofreu um salto alarmante. O governo do país confirmou nesta quarta-feira (1º) que o número de mortos subiu para 2.295, enquanto o total de feridos já ultrapassa a marca de 11 mil pessoas. De acordo com o último pronunciamento do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, existem atualmente 12.841 cidadãos diretamente afetados pelo duplo tremor ocorrido no dia 24 de junho, superando o balanço anterior que registrava 1.943 mortes e 10.571 feridos.

Especialistas da área de saúde e resgate afirmam categoricamente que este balanço representa uma subnotificação significativa. Corpos continuam sendo retirados dos escombros diariamente e os necrotérios locais enfrentam graves dificuldades estruturais para gerenciar a grande quantidade de vítimas. Enquanto a tragédia se estende, o número de resgates oficiais despencou drasticamente. Nos dois primeiros dias após os sismos, as autoridades salvaram 5.380 pessoas; contudo, na última segunda-feira (29), apenas quatro sobreviventes foram localizados com vida. Na terça-feira, o único resgate oficial bem-sucedido até o pôr-do-sol foi o de uma criança que resistiu por seis dias sob as estruturas de um prédio que desabou.

Sistema de Saúde em Colapso e Riscos de Surtos

Quase uma semana após o desastre, o frágil sistema de saúde venezuelano, castigado por décadas de baixo investimento e forte crise econômica, foi levado ao limite absoluto. O porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Christian Lindmeier, alertou que as instalações médicas operam muito além da capacidade para absorver os casos graves de trauma. O governo informou que os terremotos comprometeram ou danificaram 38 hospitais em todo o território nacional. Dessas instalações, a OMS já avaliou 21 estruturas: três pararam de funcionar totalmente, seis sofreram danos severos e as demais enfrentam um processo de colapso devido à superlotação.

Para agravar o cenário, muitos médicos especialistas estão desaparecidos sob os destroços, incluindo profissionais de cuidados maternos na região litorânea de La Guaira. De acordo com Lindmeier, o fluxo de pacientes nos hospitais está caótico, marcado por atrasos cirúrgicos e falhas graves nas medidas básicas de biossegurança. Sem acesso a banheiros, chuveiros ou sabão, os milhares de desabrigados que dormem em carros, parques e abrigos superlotados enfrentam um risco iminente de surtos de doenças. A OMS aponta para a vulnerabilidade a infecções evitáveis como o sarampo (devido às baixas taxas de vacinação), além de doenças transmitidas por vetores e pela água, como dengue, febre-amarela e malária.

Deslocados, Desaparecidos e o Impacto na Infância

A dimensão social do desastre atinge proporções massivas. Agências da ONU estimam que o terremoto acumulou cerca de 1,2 milhão de toneladas de entulho entre edificações destruídas e pertences pessoais. Oficialmente, a agência da ONU para refugiados (ACNUR), por meio da porta-voz Carlotta Wolf, contabiliza mais de 15.800 pessoas deslocadas, número que deve continuar subindo. No estado de La Guaira, a região mais castigada, os desabrigados já sofrem com uma escassez generalizada de alimentos.

Diante do silêncio e da falta de dados oficiais detalhados do governo sobre os cidadãos sem paradeiro, a própria população civil organizou redes de apoio. Os venezuelanos têm recorrido a grupos de WhatsApp e bancos de dados digitais mantidos por organizações não governamentais para catalogar os sumiços; um desses registros independentes já soma pelo menos 43.220 pessoas desaparecidas. O impacto sobre os mais vulneráveis é devastador: o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou que pelo menos 680 mil crianças necessitam de assistência humanitária urgente em todo o país. O portal VTnews segue acompanhando os desdobramentos da crise e a chegada de ajuda internacional.

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