Relatório liderado por aliado de Trump afirma que decisões do ministro do STF podem interferir nas eleições brasileiras de 2026.
A Comissão Judiciária da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, presidida pelo republicano Jim Jordan, divulgou na última quarta-feira (1º) o terceiro relatório de uma série que investiga supostas restrições à liberdade de expressão no Brasil. O documento acusa o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de comprometer a soberania norte-americana ao tentar silenciar cidadãos e empresas dos EUA por meio de ordens judiciais sigilosas. Segundo o comitê, tais ações configuram um “regime de censura” que pode desequilibrar o cenário político brasileiro nos meses que antecedem o pleito de outubro de 2026.
O relatório afirma que, entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, Moraes emitiu diversas ordens para que plataformas como X (antigo Twitter), Google, Meta e Telegram removessem perfis e entregassem dados de usuários. O texto sugere que o alvo prioritário dessas decisões são opositores políticos do atual governo Lula e do próprio ministro, incluindo a família do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com os congressistas americanos, essas manobras jurídicas visam “prejudicar significativamente” a capacidade de manifestação online de vozes conservadoras antes da eleição presidencial.
O documento também cita a atuação de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde março de 2026, como um articulador importante para a imposição de sanções contra autoridades brasileiras. Eduardo é réu no STF por coação e obstrução de Justiça, acusado de tentar influenciar o julgamento de seu pai por meio de pressão internacional. O relatório da comissão americana ecoa as preocupações do parlamentar, mencionando que empresas dos EUA estão sendo forçadas a escolher entre descumprir leis locais ou aceitar o que chamam de ordens ilegais do Judiciário brasileiro.
A divulgação do relatório ocorre em um momento de alta tensão diplomática e jurídica. Enquanto o ministro Alexandre de Moraes marcou para o dia 14 de abril o interrogatório de Eduardo Bolsonaro por videoconferência, aliados de Donald Trump no Congresso americano prometem continuar “trazendo à luz” as ordens clandestinas enviadas a empresas de tecnologia. O STF ainda não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo do documento americano, mas o episódio reforça a internacionalização do debate sobre os limites da jurisdição brasileira e o papel das redes sociais na democracia contemporânea.




